Personagem odioso: como criar o que se detesta

como criar um personagem odioso

Criar um personagem não é uma tarefa fácil, imagina ter de lidar com um cujas características de personalidade não agrade o escritor? Essa é uma grande missão de todo escritor.

Você já deve ter ouvido um rumor sobre o Akira Toriyama, criador de Dragon Ball, não gostar da personagem Chi Chi (esposa de Goku). Apesar de muitos fãs também não gostarem dela por sempre parecer irritada e detestar o fato de sua família sempre lutar arriscando suas vidas, é uma grande novidade saber que o próprio criador também não gosta muito dela.

E então vem o questionamento, o escritor não deveria amar todos os seus personagens? Você já teve essa dúvida?

Vamos explorar um pouco mais esse tema.

Personagem odioso é real e humanizado

Imagino que o fato de não gostar que o personagem tenha determinado comportamento ou traço de personalidade é o que o torna mais real e humano. Isso porque em nosso dia a dia não gostamos de todas as pessoas que passam em nossas vidas. Sempre há aquela que descordamos, ou até mesmo que repudiamos sua existência.

Nos livros isso também pode acontecer.

Isso não significa que o autor não amará o seu personagem, mas sim que o está humanizando. Tornando-o real o suficiente para o leitor. O ser humano, em sua própria natureza, é defeituoso. Não existe a perfeição, ela é mera ideação simbólica. Sendo assim, um personagem que seja odiado por não seguir o desejo mútuo de ser perfeito é o que mais o torna real e humano.

Veja bem, o autor odiar o personagem não significa que irá tornar sua vida um inferno no livro. Mas sim de que discorda de seu comportamento, tal como discordaria de uma pessoa real.

Além disso, esses tipos de comportamentos e personalidades torna o personagem único e bem característico. Eu, pelo menos, quando escuto alguém falando de filho rebelde lembro da Chi Chi de imediato, pois era o que ela mais lamentava em seu filho quando transformado em Super Sayajin.

Como construir esse personagem odioso

Se você, enquanto escritor, cria personagens que tem atitudes que você mesmo gosta, é provável que esteja projetando alguma coisa no seu trabalho. Ainda mais se todos os personagens não tiverem, pelo menos, dois ou três defeitos que você deteste.

Eu sei que é difícil criar um personagem com tais atitudes, mas precisamos sair da zona de conforto. Criar uma boa história não significa que ela será cem por cento agradável em todas as linhas. Devemos causar desconforto em certos momentos, pois essa é a realidade. Nem mesmo os contos de fadas são confortáveis, há algo que nos deixa incomodados.

Sendo assim recomendo que faça uma lista de defeitos e os categorize entre os toleráveis e os intoleráveis. Deixe essa lista em algum arquivo ou caderno que possa acessar na hora de criar seus personagens.

Quando for hora de planejar os seus personagens, escolha um de cada tópico e os interligue à história do personagem. Por exemplo, se você considera o preconceito algo intolerável, o seu personagem pode ser um preconceituoso já que fora assim que aprendera em sua família.

E esse é um ponto que temos de dar muita atenção, pois não há comportamentos sem um porquê. Todos temos um motivo para agir como agimos em nosso dia a dia, e isso é importante de estar claro no seu planejamento.

O personagem deve superar esses traços odiosos?

Isso irá depender da proposta da sua história.

Nem sempre os comportamentos e personalidades irão mudar. Alguns permanecem os mesmos independente do tempo de vida. Sendo assim, se for algo que trilhe o mesmo caminho de desenvolvimento do seu personagem ao longo da história, então tudo bem ele mudar. O leitor irá identificar e ficará atento no processo de amadurecimento de tal personagem.

Mas não é uma regra, afinal alguns desses traços passam a ser a identidade do personagem.


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E se o leitor não gostar do personagem também?

Tal é um ponto que deve ser avaliado com certa cautela por parte do escritor.

Nem sempre iremos agradar os leitores com nossas histórias e personagens, por isso não adianta tentar alcançar a perfeição. Porém, ficar de olho em seus comentários e saber o quê exatamente não os agradou é uma boa ideia.

Assim como dito no tópico anterior, o autor tem de ter claro o papel daquele personagem dentro da história. Se o traço de personalidade dele é necessário para ser sua identidade, ou tem alguma função que será explorada no enredo, então independente do público leitor gostar ou não, é algo que deve ser mantido.

No entanto, se for algo que pode ser mudado e bem desenvolvido, então as opiniões do público leitor podem ser de grande ajuda nessa reconstrução de personagem. Afinal de contas, nós escritores nos apegamos à história que criamos e nem sempre queremos nos desfazer dela. Na hora de tirar algo, é como se estivéssemos desistindo de algo em nós mesmos. Já o leitor não há essa relação proximal com a história, e consegue ser mais neutro na hora de avaliar o enredo.

Nesses momentos temos de ser fieis à proposta da história.

Conclusão

Criar um personagem que não gostamos faz parte do nosso trabalho, pois criamos a partir do que é real. Não estar de acordo com pensamentos e comportamentos de nossos personagens é natural, porém desconfortável. Por isso devemos tomar cuidado nesses momentos e evitar que nossos próprios achismos infecte o personagem em questão.

Trazer a imperfeição do personagem é uma forma de torná-lo mais real e compreensível. Assim o leitor poderá se identificar com ele, ou não, e tirar as próprias conclusões acerca da história.

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Sobre a autora

Alis Green

Uma bruxa escritora que é viciada em animes. Adora estudar sobre mitologias e história, como também gosta de ler romances regenciais. Quando aprende alguma coisa nova, sempre passa à frente em seus posts.

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