Omegaverso – um gênero novo e instintivo

omegaverso

Faz alguns anos que um novo gênero de história tornou-se popular entre as fanfics e originais publicados pela internet. Estou falando sobre o omegaverso, ou popularmente conhecido como ABO. Você conhece? Se a resposta for não, então venha saber maiores informações.

Alguns leitores aqui já sabem, mas comecei a minha carreira de escritora escrevendo fanfictions desde os meus 16 anos. E houve uma época em que um gênero começou a ficar popular nessas fanfics. Eram poucas histórias que tinham esse elemento, mas todas elas compartilhavam um mesmo conjunto de regras.

Ou deveria dizer uma cultura.

Lembro de ter lido uma fanfic onde a autora usou o primeiro capítulo para explicar jargões desse novo gênero. Cio, mordida, alfa, beta, etc. Fiquei muito interessada e resolvi pesquisar um pouco mais à fundo sobre o que seria esse gênero, até então chamado de ABO. Reuni diversas informações e então eu optei por escrever a minha própria fanfic desse universo.

Devo dizer que fui muito feliz na época, escrevi tal fanfic em 2016 e até hoje recebo comentários nela lá no Wattpad.

Mas afinal de contas, o que seria esse gênero? É algo que podemos aproveitar em histórias originais também?

Te responderei agora!

Do que se trata o Omegaverso?

Um gênero que começou lá nos Estados Unidos, mas que se tornou popular no mundo todo bem rapidinho. Também conhecido como ABO (alfas – betas e ômegas), esse gênero retrata o ser humano como um híbrido.

Seria a ideia de que um apocalipse teria acontecido, onde o gene humano e lobo passam a dar origem aos humanos alfa, beta e ômega. Seria a versão mais instintiva do ser humano, onde ele fica mais forte e ágil para sobreviver à extinção. Podemos dizer que seria, literalmente, os lobisomens do universo de Crepúsculo, só que sem a transformação em lobo.

Existem diversas teorias sobre a origem desse gênero, sendo apontado o possível ciclo que os lobos vivenciam, ou então histórias presentes em filmes como Blade e Anjos da Noite.

Esse gênero se tornou bastante popular em fanfics homoafetivas, tornando dois polos bastantes rotulados e estereotipados. Veremos mais a seguir sobre as classes, mas posso adiantar que homens alfas são vistos como dominadores ativos, e os homens ômegas são vistos como dominados passivos.

Além disso, devido a característica selvagem desse novo ser humano, esse gênero acaba sendo atrativo para romances hot. Cenas de nudez e sexo se tornam as partes chaves de alguns enredos devido a necessidade dessa espécie ao passarem por períodos de cio. Explicarei mais sobre isso em breve.

O que são os alfas, betas e ômegas?

ABO são as três “raças” desse novo ser humano instintivo, sendo colocado em hierarquia.

Os betas são aqueles mais próximos dos humanos, onde o instinto não chega a ser tão presente. São considerados calmos, e ao atingirem a maturidade podem decidir como irão agir (como um alfa ou um ômega). Podem apresentar dificuldades em procriação, sendo possível somente com um alfa. Geralmente são renegados nas histórias, pois eles não tem seus instintos tão acentuados como os outros dois.

Os ômegas, em geral, seria o feminino. Nessa teoria do omegaverso podemos ver algo bem patriarcal, de certa forma, quando o ômega é colocado como passivo e submisso ao alfa, ou então puramente feminino. Geralmente eles são apresentados nas histórias com características femininas como a sensibilidade emocional.

os alfas são considerados os mais fortes, os procriadores, ativos. Uma energia masculinizada e dominadora. Aquele que age por instinto, e é atraente. Talvez possessivo entre nessa categoria também. Dentro de uma matilha, o alfa é o líder, que lidera os mais fracos.

Como essas três classes são a versão instintiva do ser humano, é claro que eles tem características físicas bem fortes e presentes. É o caso dos cheiros corporais, ato de rosnar, o próprio cio e as mordidas.



Características presentes nas classes

Dentro desse universo, o ser humano vivencia ciclos e apresentam novas características físicas.

Por exemplo, o cio. Isso mesmo, o mesmo período que os pets vivenciam, os humanos passam dentro desse universo. Levando em consideração que estamos falando do lado instintivo do próprio homem, podemos pensar que o cio é um período intenso de necessidade carnal, onde um ômega se encontra fértil pronto para engravidar.

Esse período “sedento” é retratado da maneira mais carnal possível. Por isso comentei que esse gênero caiu bem para os romances hot. Cenas sexuais são muito presente, pois nem o alfa e nem o ômega se satisfazem facilmente.

Outra característica presente é o nó. Seria logo após o ato sexual, onde a genitália incha de tal maneira à ponto de “prender” o parceiro. Bizarro não? Seria algo natural para garantir que a fecundação ocorra.

A terceira característica é a mordida, que oficializa e aprofunda a relação entre um alfa e ômega. O alfa morde o seu ômega, e a partir de então uma relação em nível de alma se inicia. É como se fosse um casamento, mas aprofundado e interligado. Não há nada no mundo que desfaça uma mordida. Um irá pertencer ao outro pela eternidade.

A quarta característica é o cheiro. Quando dá início ao período de cio, por exemplo, o corpo desses humanos exalam um aroma para atrair parceiros.

Quais os pontos positivos do omegaverso

Esse tipo de gênero cai muito bem quando estamos falando de instintos. Instinto de sobrevivência é algo que em nossa realidade quase não usamos. Seria trazer à tona o lado mais selvagem da espécie humana.

Histórias que buscam trabalhar essa questão mais selvagem, e um tanto quanto antiquada do próprio homem, conseguem se encaixar no omegaverso. Aqui a razão e consciência não são necessárias para se explicar o que é natural dessa nova espécie.

Alguns escritores, inclusive eu fiz na época, adicionam informações sobre como essa nova humanidade surgiu. Seja por questões cientificas ou naturais, há um motivo para tal espécie existir. Dependendo da história, isso pouco importa para o leitor, pois não é isso o que eles buscam.

O que acaba atraindo os leitores é justamente a forma como o casal interage. A questão da atratividade se torna mais selvagem e interessante. Geralmente em romances comuns encontramos abordagens de necessidades físicas como a vontade de beijar e tocar alguém. Nesse gênero, essas necessidades se encontram ampliadas pela natureza dessas classes.

Para o leitor, isso é muito atrativo. Por isso é comum que as histórias ABO tenham um enfoque sexual muito maior.

Quais os pontos negativos do omegaverso

A criatividade do escritor.

Você deve ter reparado, mas alfas e ômegas estão bem rotulados como ativos-passivos, dominador-dominado, uma relação ambígua onde um está acima do outro.

Como dito anteriormente, esse gênero acabou se popularizando em fanfics homoafetivas. Sendo assim, um personagem masculino da classe ômega vem rotulado como afeminado, passivo, pequeno, que precisa ser cuidado e protegido. Algo bem vulnerável. Enquanto que o homem alfa é o bam bam da história toda, aquele popular e tudo mais.

Esse tipo de rótulo acaba se tornando atrativo para muitos leitores, digo isso pois já o fiz de tal maneira, mas nem sempre ele é bom. Dependendo da forma como o escritor usa em sua história, passa a impressão de um aspecto masculino dominando o aspecto feminino.

Ou seja, o que é considerado feminino e sensível acaba sendo dominado pelo masculino.

Outro ponto negativo é que as cenas sexuais acabam sendo exageradas e a história acaba não tendo muito o que contar. Nada vai além da atração entre os personagens, e para quem busca algo interessante pode ser desestimulante. É como se a história fosse somente sobre cios e nada mais.

Conclusão

Esse gênero parece algo absurdo e sem sentido, porém não é algo a se descartar. Algumas informações do omegaverso seriam muito interessantes de serem trabalhadas em histórias que contenham lobos.

Se pegarmos o Crepúsculo como exemplo, poderíamos encaixar muito bem algumas características ali presentes.

Recomendo ao escritor utilizar o omegaverso de maneira criativa e dando mais detalhes sobre essa nova raça. Amplie o omegaverso, mude uma coisa aqui e ali, faça os ajustes necessários para que o enredo seja interessante para o seu público leitor.

Fontes

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Sobre a autora

Alis Green

Uma bruxa escritora que é viciada em animes. Adora estudar sobre mitologias e história, como também gosta de ler romances regenciais. Quando aprende alguma coisa nova, sempre passa à frente em seus posts.

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