Análise de Enredos Escrita Naturalizada

Yumeiro Pâtissière: aprendendo sobre doces mágicos

Yumeiro Pâtissière análise

O que acha de assistir à um anime que fale sobre culinária? Já imaginou como seria mostrar para um público mais novo sobre a profissão mais açucarada do mundo? No post de hoje irei analisar o enredo do anime shoujo “Yumeiro Pâtissière”.

Recentemente senti necessidade de assistir alguma coisa um pouco mais leve, pois havia recém terminado de reassistir Kimetsu No Yaiba. Considerando que o anime anterior do gênero shounen era repleto de um enredo muito denso e detalhado, queria fugir para o outro lado da rua com um anime mais leve.

Foi então que resolvi dar uma chance para um anime shoujo que falasse sobre o mundo dos doces.

Vamos analisar seu enredo?

Sinopse

Ichigo Amano é uma garota de 14 anos que não tem nenhuma qualidade especial. Um dia, em um festival de doces, conhece Henri Lucas.

Esse rapaz a recomenda entrar na Academia St. Marie, ao perceber que Ichigo têm um paladar muito aguçado para os doces. A Academia St. Marie é uma escola especializada em formar pâtissiers e pátissieres.

Nesta escola, Ichigo conhece uma Espírito dos Doces chamada Vanilla, que se torna sua parceira e lhe dá lições de culinária. Ichigo também fará novos amigos patissiers e conhecerá novos Espíritos dos Doces. Assim começa as aventuras de Ichigo.

O anime conta com duas temporadas que serão analisadas como um todo.

Desenvolvimento dos personagens principais

Primeiro, a protagonista Ichigo Amano. O seu desenvolvimento é muito lento e quase imperceptível, pois acompanhamos muito mais o seu trabalho do que outras áreas da vida. Levando em consideração que a personagem inicia o enredo sem saber absolutamente nada de doces, é nítido que até o final da segunda temporada ela tenha crescido.

Porém, quando se trata de sua personalidade encontramos algo um pouco mais congelado. Iniciamos o anime com ela tendo 14 anos, e na segunda temporada a garota já tem 16 anos, onde absolutamente nada de sua personalidade parece ter amadurecido. Permanece sendo desastrada, desatenta sobre o que ocorre em sua volta.

Dos demais personagens presentes na vida social de Ichigo, destaco que apenas dois deles parecem ter crescido ao final da primeira temporada, Andou e Hanabusa. Na segunda, ambos os personagens masculinos focaram em abrir suas lojas e perseguirem seus objetivos logo ao fim dos estudos em Paris.

Porém, há uma personagem da qual podemos destacar por seu desenvolvimento. Durante a primeira temporada, Mari foi colocada como uma das melhores alunas por ter sido a favorita de Henri. No entanto, no final dessa mesma temporada e durante toda a segunda acompanhamos ela lidar com muita frustração que a fazem se reposicionar diante de seus objetivos.

Levando em consideração os dilemas, a forma de reagir à frustração e sua volta com mais determinação, Mari acaba sendo mais desenvolvida do que a própria Ichigo.

A personalidade vilânica de Henri

Henri é aquele personagem que foi encarregado de tornar a trama possível, pois fora ele quem trouxera Ichigo para a escola de confeitaria, mesmo que ele desconhecesse os dotes da garota.

Durante a primeira fase do anime Henri é uma força motivadora que coloca vários alunos a buscarem seus sonhos. Infelizmente, por se tratarem de alunos jovens suas motivações acabam se voltando em estar ao lado de Henri profissionalmente, ou de serem reconhecidos por ele.

No entanto, quando entramos na reta final da primeira temporada o professor Henri toma uma atitude que o coloca como força antagonista da protagonista e seus amigos. Ele mesmo se colocou na posição de frustrador em criticar duramente as habilidades tanto de Mari quanto de Ichigo.

A forma como ele confronta os alunos para que “acordem e desenvolvam suas próprias habilidades” foi considerada um tanto quanto bruta por mim. E isso é muito presente em todo o anime com diversos personagens. Quando algum personagem faz algo errado, é gerado toda uma bronca e discussão que resulta em desapontamento. São poucos personagens que conseguem instruir de maneira mais delicada.

Outro aspecto de Henri da qual me desagradou foi sua grandiosidade. Conseguimos notar que Henri não é um confeiteiro qualquer, ele é muito reconhecido, no entanto dificilmente o vemos trabalhar. A impressão que me deu é de que ele se tornou famoso não apenas por alguma habilidade, mas por ser um homem jovem e atraente.

Inclusive o fato de vários alunos desejarem estar ao seu lado ao invés de construírem suas carreiras se dá pela falta de comunicação por parte de Henri. Ele apenas alimenta os sonhos dos alunos e não permanece ao seus lados para que possa instrui-los tal como faria um professor.

Em suma, Henri foi colocado em um altar imaginário sem nenhum mérito algum aparente.

A bagunça da segunda temporada

Quando encerramos a primeira temporada, há uma cena que já nos prepara para o que está por vir na segunda. Dois anos se passaram e esperamos que nossos personagens tenham se desenvolvido a ponto de encarar novos desafios.

Senti que a segunda temporada tem como palavra-chave “empreender”. Ichigo e seus amigos retornam para o Japão a fim de continuarem seus estudos, e Henri cria um grupo especial para que abram e cuidem de uma loja.

Ichigo está no time principal e assim como seus colegas, ela também não sabe nada de empreendimento. As primeiras tentativas de cuidar de uma loja são falhas, e Henri envia todo o time para ajudar Mari com a loja dela. Por vários episódios esse grupo teve de lidar com os problemas dos outros em cuidar de seus negócios, ao invés de eles próprios fazerem a tarefa que lhe foi incumbida.

Depois de cuidar da vida dos outros é que o grupo retorna para a própria loja e começam a focar no trabalho. A impressão que me deu foi a ordem em que esses fatos ocorrem, teria sido mais harmonioso que primeiro os alunos ajudassem os outros, para somente então ser entregue a missão de abrirem a própria loja.

Da forma como foi apresentado, cheguei a questionar se Ichigo e companhia não haviam se esquecido que eles mesmos estavam perdendo tempo. Apesar de que essa ajuda toda que Ichigo dá aos amigos é uma forma de aprendizado.

O romance da protagonista é falha

Levando em consideração que na abertura do anime os protagonista aparecem juntos em poses fofas de casais, não tivemos um grande enfoque no romance em si.

Já saímos da primeira temporada com os personagens dois anos mais velhos, de mãos dadas e falando um para o outro que naquele momento eles não iriam dizer sobre seus sentimentos, mas que haveria um momento propício para isso.

Chama-se final.

Durante toda a segunda temporada o anime não dá espaço para que o casal se desenvolva por conta própria. Estão sempre em torno de alguém resolvendo problemas de clientes, e buscando fazer o melhor doce. Somente curtos diálogos é que nos fazem lembrar da existência desse romance.

E então, quando chegamos no último episódio, aí sim o foco surge nos dois. Onde todos parecem saber que ambos se amam, e só eles que negam.

Kashiro é um garoto que desde a primeira temporada encontramos sinais de que estaria gostando de Ichigo. Seja por um rosto ficando rubro, a preocupação dele e tudo mais. Agora a Ichigo… não temos nada disso.

Infelizmente a protagonista não demonstra tanto interesse em romances, nem um pouco suficiente para que fosse desenvolvido mais tarde (no caso na segunda temporada). Fiquei com aquela sensação de que perdi alguma coisa no meio do anime. Em que momento Ichigo teria se dado conta que gosta de Kashiro?

Mesmo que comecemos a segunda temporada prontos para saborear o amor, haverá frustração pela falta de cena deles.

Diferença de um romance de acordo com seu público-alvo

Apesar de minha imensa insatisfação em diversos pontos do anime, em especial o romance do casal, devo lembrar que isso é justificável quando levamos em consideração o público-alvo do anime.

Yumeiro Pâtissière é voltado para um público mais novo, diria que infanto-juvenil. Ou seja, crianças podem assistir tranquilamente que não há conteúdo inapropriado.

Justamente por ter como alvo um público mais novo, de nada adianta focar o anime em detalhes no enredo e um grande romance. Pois nem sempre as crianças estão interessadas, ou detém a capacidade de compreender algo tão complexo.

Se for comparar os animes que trabalham no romance, podemos ver que há muita interação entre o casal, cenas de beijo e entre tantos outros tipos de cenas. Mas como seria apresentar isso para uma criança, sem aborrecer os pais? Por isso que Kashiro e Ichigo tiveram um romance superficial.

Até mesmo o fato da protagonista ser boba e desastrada acaba sendo um imenso atrativo para a criançada. Mesmo que ela crescesse, mantiveram sua inocência para manter a atenção do público infantil. Afinal, como que irei me identificar com alguém mais maduro que eu mesmo? É como se eu fosse me encantar por equação sem nem saber somar.



Conclusão

Yumeiro Pâtissière é excelente anime para crianças, por ser simples e direto. O foco está mais em ensinar lições morais e mostrar a beleza da confeitaria para crianças. Considero que o anime teve êxito em mostrar uma profissão de maneira lúdica e mágica para os jovens.

E o mais interessante é que os problemas da profissão não foram escondidos. Temos técnicas e jargões sendo utilizados e explicados, porém mesclados com a magia das pequenas fadas dos doces que tornam bem mais simples para quem não entende de confeitaria.

Agora, se você for um pouco mais velho e deseja ver um anime de romance, é provável que se frustre bastante. Caso insista em assistir, tenha em mente que ele cumpre com a proposta de conversar com seu público-alvo.

Onde assistir o anime

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