O mundo pelos olhos de uma criança: John Boyne

John Boyne

John Boyne

Com certeza já devem ter lido o livro de John Boyne, mas notou como que um mundo, em meio a guerra, é visto pelos olhos de uma criança?

Olá caros leitores!

Faz tempo que não recomendo um livro aqui no blog, e por isso optei por falar sobre o livro do autor John Boyne “O menino do pijama listrado”. A partir dele conseguimos ver como que uma criança consegue interpretar a sua realidade, e também a forma genial do autor de nos mostrar isso.

Sinopse do livro

O menino Bruno, de 9 anos, é filho de um oficial nazista que assume um cargo importante em um campo de concentração. Sem saber realmente o que seu pai faz, ele deixa Berlim e se muda com ele e a mãe para uma área isolada, onde não há muito o que fazer para uma criança com a idade dele. Os problemas começam quando ele decide explorar o local e acaba conhecendo Shmuel, um garoto de idade parecida, que vive usando um pijama listrado e está sempre do outro lado da cerca eletrificada. A amizade cresce entre os dois e Bruno passa, cada vez mais, a visitá-lo, tornando essa relação mais perigosa do que eles imaginam (Adoro Cinema).

Como é representado o nazismo no livro

Com certeza existem muitos livros que falem sobre o nazismo, mas são poucos que conseguem nos mostrar o olhar da criança em um momento de tamanha tensão, como uma guerra. O personagem principal do livro é uma criança de 9 anos de idade, que não recebe muitas informações sobre o que está acontecendo naquele momento.

Justamente por não saber o que se passa, Bruno junta as informações que ouve e as adapta de uma forma que ele possa compreendê-las.

É compreensível, já que quando estudamos história, principalmente sobre a Segunda Guerra Mundial, vemos que há a questão do orgulho de ser alemão, do desejo de mostrar sua força e inteligência em forma de guerra. Mas uma criança conseguiria entender esse cenário?

No livro temos justamente isso, a visão de Bruno e suas adaptações da realidade.

Para poder falar sobre HItler, sem citar o seu nome, é usado a sua posição politica. Contudo, para Bruno é difícil entender isso, parece uma palavra complicada e por a adaptou para que fosse mais fácil de lembrar e se comunicar. De Führer a analogia usada é Fúria, e sobre o campo de concentração Auschwitz na Polônia, é usado Haja-vista.

Criança fora do contexto

Outro ponto que destaco sobre o livro, é como os pais de Bruno evitam contar certas coisas para o filho. Mesmo que evitem de falar sobre a guerra, sobre o Hitler, sobre o campo de concentração, Bruno é capaz de observar em sua volta e perceber que as coisas não estão correndo bem.

Por que ele e sua família tiveram de mudar de casa? Qual o motivo de terem pessoas usando um pijama listrado? Por que Bruno não pode fazer amizade com essas pessoas? São tantas perguntas, que não são respondidas do jeito que ele espera. Mesmo que seu pai tente explicar de um jeito que não espante o garoto, para ele continua a não fazer sentido.

Tanto é que faz amizade com Shmuel, o garoto judeu que está no campo de concentração. Os dois se encontrando no mesmo lugar, curiosos sobre a vida um do outro. A diferença cultural é interessante para eles, que ao mesmo tempo querem mostrar um ao outro como a vida deles era boa antes de ambos irem para aquele lugar.

Contudo, Bruno percebe que não deveria conversar com Shmuel. Mesmo sem saber o motivo, ele percebe no ambiente que as pessoas que o cerca não gostam dos judeus. Acaba, assim, sendo levado nesse fluxo de sua família. Contudo, acaba por pedir desculpas ao seu novo amigo.

As consequências da falta de informação

Claramente que os pais de Bruno jamais pensariam que seu filho iria fazer amizade com um judeu, e que seria capaz de passar pela cerca. Jamais teriam pensado que seu filho levasse em consideração a sua mais nova amizade, desejando ajudar o Shmuel a encontrar seu pai.

Talvez se soubessem, Bruno seria castigado de um jeito inadequado. Porém, os pais desatentos nos filhos, focados em seus próprios conflitos e trabalhos, não percebem que Bruno estava vestindo um dos pijamas listrados e caminhando pelo campo de concentração.

Mesmo estando no campo de concentração, Shmuel também não conhece as “atividades” que ali ocorrem. Diz sobre as vezes terem que marchar, trabalhar, mas não entende a situação por completo. Só que ele sabe que não se sente confortável ali.

Podemos notar que até mesmo as demais pessoas que estão no campo, parecem não saber o que os aguarda. Alguns tentam se tranquilizar, outros já ficam assustados. É um misto de emoções que os garotos ficam atentos o tempo todo. Caso você tenha visto o filme, perceba a forma como eles prestam atenção na reação dos adultos, alguns momentos antes de entrarem na câmara.

Os pais de Bruno podem ter pensado que era óbvio o aviso de que o filho não devesse se aproximar. Mas não era.

Criança percebe o que acontece

Trazendo isso para o contexto geral da criança, por mais que tente esconder algo, ela irá perceber. O ambiente muda, o comportamento do adulto muda, e por receber vários estímulos o tempo todo, ela percebe.

Deixar a criança de lado, como se ela fosse incapaz de entender o contexto geral, pode não ser o certo em algumas situações. Pode ser que ela não entenda tudo com exatidão, mas sente. Alguns pais contam ao seus filhos sobre o que se passa, ocultando partes e tentando deixar tudo claro para que ela possa entender. Tudo depende da situação que se passa.

O que teria acontecido ao Bruno, se ele soubesse que jamais deveria passar aquela cerca? Talvez ele tentasse trazer Shmuel para o “seu lado” da cerca. Talvez ele fosse para o campo de qualquer jeito, pois o desejo de ajudar o amigo era maior.

O que teria acontecido ao Bruno, se ele soubesse sobre a guerra?

São perguntas que nos fazemos, mas que não sabemos a resposta.

Criança sabe o que é certo e o que é errado

Sabemos muito bem que na medida em que uma criança cresce, ela vai aprendendo o que é certo e o que é errado. Esses aprendizados podem ser conscientes e inconscientes também. Não vamos nos deparar no que de fato é certo e errado aqui, lembremos que se tratando da criança, o aprendizado é constante.

No caso do Bruno é interessante como ele perceber que certos comportamentos de seus pais são parecem certos. A cena em específico é a de quando o personagem cai da balança sendo socorrido por um empregado. Quando sua mãe aparece, ela fica espantada em saber que Bruno caiu, e pede para o empregado diga que foi ela quem socorreu o filho, caso o pai de Bruno questionasse.

O personagem principal logo pensa que é feio a mãe levar créditos por algo que ela não fez.

As vezes a criança molda o “certo e o errado” a partir das experiências que vivencia. Nesse caso, Bruno poderia saber que mentir é feio, e vendo que sua mãe iria mentir para o pai sobre ter socorrido ele serviu como uma experiência reforçadora de que mentir é realmente ruim.

Concluindo

O livro é bom justamente para refletirmos sobre o olhar da criança diante de situações, sejam elas boas, ruins, catastróficas ou não. Além disso, podemos ampliar os estudos sobre a psicologia que trabalha em situações de urgência e emergência.

Como que nós profissionais poderíamos agir em momentos como esses? Fica aí uma indagação.

O ponto principal do tema de hoje, é justamente vermos como que Bruno percebeu o seu ambiente, como ele adpatou as informações de forma que ele próprio entendesse, e como reagiu a isso. A falta da presença dos pais de Bruno em seu dia a dia teve algum impacto em seu fim?

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Outras recomendações de livros: O Nascimento e a família Conectando-se com as crianças

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