Críticas sobre a série Bridgerton

série bridgerton

Finalmente chegou a hora que todos os fãs de Julia Quinn ansiavam, a estréia da primeira temporada de “Bridgertons”. Apesar da boa recepção do público, há algumas coisinhas que deixaram a maior parte dos fãs decepcionados. Vamos conhecer alguns desses pontos, e ponderá-los.

Para fazer esse post estarei contando com algumas cenas da série. Por isso, se você não assistiu ainda, não leia o post pois há spoiler.

Claramente há aquele número de pessoas que compreendem que a série é apenas uma adaptação dos livros, sendo que o ideal é não esperarmos muita coisa fiel. Mudanças são esperadas.

Entretanto, devo lembrar que por mais que se tenham mudanças, o cerne da série e personalidade de personagens devem ser mantidos. Dessa forma, quando olharmos para o personagem naquele contexto sentimos que é ele.

Sim, vamos começar com a crítica número 1 de todas as resenhas.

Personalidade de Anthony Bridgerton

Acredito que uma das coisas que mais tenha irritado os fãs de Bridgerton foram as personalidades modificadas do trio ABC.

Em geral, as criticas foram direcionadas ao roteiro e não para os atores em si.

O mais gritante é justamente o posicionamento de Anthony diante de seu dever enquanto visconde, e sua relação com a cantora de ópera. Nos livros temos um visconde muito consciente de seu dever, e leva em consideração os sentimentos de seus irmãos e mãe acima de qualquer coisa. Ele posterga até o limite o momento de se casar, justamente por conta de seus receios pessoais.

Sendo assim, ele prefere ter casos carnais ao invés de investir em um relacionamento profundo. Até mesmo na hora de escolher uma esposa, Anthony usa a razão para evitar a emoção.

Já na série temos um Anthony profundamente ligado aos seus sentimentos e bem distante do seu dever enquanto visconde. Ou seja, encontramos o inverso. Esse tipo de mudança gera muito estranhamento por parte dos fãs, já que a relação familiar é o cerne de toda a série, e um único personagem negligenciá-lo destrói tal visão.

Acredito que o seu romance tenha servido como pano de fundo e justificar da possível aversão que Anthony terá sobre casamento. Nada como um coração partido para traumatizar alguém de se apaixonar. Porém, sabemos muito bem que um motivo simples é o suficiente para tumultuar a vida de uma pessoa. Os leitores de Bridgertons conseguem compreender o terror que Anthony carrega consigo, a ponto de fazê-lo não se casar por amor.

O que acaba sendo sensacional, pois é justamente o que não ocorre com ele. Então dá a sensação de que a vida está ensinando uma lição preciosa.

Sofrer pelo amor não correspondido

Diga-se de passagem que hoje em dia sofrer pelo amor não correspondido não é algo tão belo quanto outrora. As pessoas aprendem a superar com facilidade, e não se permitem mais esse tipo de sofrimento. Acredito que sequer consideram um sofrimento digno de lágrimas.

Há aquele pensamento de que sofrer por um amor é pequeno diante de tantos outros sofrimentos. Luto, doenças, brigas entre familiares, etc. são apenas alguns exemplos de sofrimentos que se tornam mais compreensíveis do que o amor não correspondido.

Sendo assim, o romance de Anthony com Siera não foi bem aceita pelo público por mostrar um lado sensível do personagem, que deveria ser trabalhado junto de seu par. Porque deveríamos trabalhar a sensibilidade de Anthony se ele já o tem? Não faz sentido. Ele sabe que o tem, já o sentiu. Apenas o nega.

Enquanto que no livro, Anthony nem cogita a possibilidade de se sensibilizar, já que prefere casos rasos do que relacionamentos profundos.

Outro personagem que deixou muitos fãs decepcionados foi Colin. O favorito das leitoras por conta de seu bom humor e facilidade de se safar ao derreter os corações das mulheres.

Esse era outro que não queria saber de casamento, até que plantou o pé para fora do país.

Na série temos alguém bem imaturo a ponto de declarar um casamento a público. Isso, realmente, não é algo que um Bridgerton faria por saberem que acarretaria em situações difíceis de escapar. Não é muito bom que pessoas de títulos se envolvam em escândalos, pois podem perder seus títulos em certas circunstâncias.

Mas Colin não escuta os avisos e faz o que seu coração sente. Queria que tivesse declarado seu amor por comida. O que já nos mostra um segundo ponto do personagem que foi esquecido, Colin é um verdadeiro amante da culinária. Digo amante por justamente adorar comer, e não necessariamente fazer dos pratos.

Porém nem tudo foi horrível, já que seus momentos com Penélope geraram um quentinho no coração.

Assim como seu irmão mais velho, acredito que o romance de Colin tenha sido um pano de Fundo para justificar a sua viagem pelo mundo.

Personagem Marina e suas confusões

Desde que o elenco e personagens foram divulgados, muito se questionou sobre a presença de Marina em toda a série. Pelo que pude ler dos comentários, foram poucas pessoas a gostarem da personagem.

O maior problema foi justamente sua relação com Colin, que gerou uma onda de mimimi pelos fãs.

Acredito que o maior estranhamento tenha sido por conhecermos um lado da história que nunca imaginamos. O nome de um personagem chamado Marina surge no quinto livro da série, onde temos o par romântico de Eloise.

Phillip é um homem recém-viúvo que mora com seus dois filhos. Após a morte de sua esposa Marina, ele passa a trocar cartas com Eloise. Quando a garota viaja até sua casa, os dois começam o seu romance. E é claro que o rapaz tem suas questões pessoas à respeito da morte da esposa a serem resolvidos.

Então, na primeira temporada conhecemos essa Marina e temos um background sobre sua história. Ela se torna um pouco mais dramática do que o esperado, já que imaginava seu casamento algo feliz e bem sucedido. Na série temos um drama bem intenso.

Além disso, a tentativa da moça de encontrar um lar antes que sua barriga se torne evidente foi um dos fatores que gerou desgosto entre os fãs. Uma vez que o alvo escolhido foi justamente Colin Bridgerton. Até mesmo a Penélope não gostou dessa história e nos mostrou seu lado ciumento.

O fato de Marina ter algum parentesco com a família de Penélope acaba sendo o menor dos problemas. Agora, ela tentar enganar Colin foi a gota d’água.

Relação de Marina e Daphne

Acredito que há um motivo para que a história de Marina fosse inserida nessa história.

Temos duas mulheres ligadas por um assunto: gravidez.

Marina viveu um romance escondido e acabou por engravidar. Porém, a gestação não é desejada, uma vez que ela é solteira e isso pode acarretar em uma vida nem um pouco sustentável para ela e seu filho. Sendo assim, Marina “deveria” se casar com alguém o mais depressa possível para que seu filho seja bem quisto na sociedade londrina.

Já Daphne… bem a garota vive o romance, só que a gravidez lhe é negada. Simon admite o seus sentimentos, aceita casar-se com ela, porém não aceita que Daphne tenha filhos com ele devido suas questões com seu finado pai.

Apesar do motivo ser bem compreensível, Daphne vem de uma família grande. Ela deseja ser mãe para reproduzir do mesmo afeto que recebera em toda sua vida. Claro que ao entender que Simon era estéril, a garota estava disposta a ser uma tia babona. Porém tudo muda quando descobre a verdade por trás da negação à gestação.

E aí vem a cena questionadora sobre o estupro.

Não entrarei em detalhes sobre isso. Não importa em qual contexto, estupro não é legal, não devemos abafar esse caso.

Há um momento que Daphne oferece sua ajuda a Marina, após o assunto explodir em toda a sociedade londrina. E ali fica nítido a projeção que Daphne faz em Marina.

Uma vez que ela está grávida, tem alguém que ama e que pode sustentá-la, Daphne auxilia a garota ao entrar em contato com o pai da criança e facilitar todas as coisas.

Ou seja, é bem provável que Marina tenha tido todo seu arco dramático para enfatizar o forte desejo de Daphne em ser mãe, a ponto de proteger e ajudar mulheres grávidas em situações complicadas.

Se houvesse uma frase para sintetizar isso, seria: “eu não posso ter filhos, mas você pode e eu irei te abençoar do jeito que for”.

Excessos de cenas de nudez

Com certeza muitas pessoas irão descordar comigo, porém é interessante termos opiniões diferentes para darmos conta que a série teve vários acertos e erros. Um diferente do outro, de acordo com cada pessoa.

Quando assisti a série, estava justamente ao lado de meus pais. Cenas de sexo e nudez deixaram meus pais desconfortáveis de assistirem junto comigo.

Devo dizer que também fiquei incomodada, pois senti muita ênfase nessas relações carnais. Sexo é bom, tudo bem, porém a história dos Bridgertons não gira em torno disso.

Senti excesso dessas cenas. Muitos excessos.

Não entendi, até agora, o motivo de a primeira aparição de Anthony ser dele transando com uma moça em uma árvore. E para piorar, seu empregado estava lá, só ouvindo os gemidos da moça. Gente, que constrangedor.

Foi uma cena completamente desnecessária, creio que seja para mostrar que Anthony prefere sua libertinagem como escape das obrigações de visconde. Mas esse assunto já foi discutido no tópico anterior.

Outro ponto, porque Benedict foi até um ambiente repleto de pessoas nuas com libertinagem, só para trabalhar sua arte? Ele já pinta, todos da família sabem disso, mas há algo que falta em suas pinturas. E então resolve ir até tal lugar, onde todos fumam, bebem, fazem sexo… uau é arte mesmo.

Cenas de Simon e Daphne também tivemos. Levando em consideração que é o casal principal, e que eles estavam em lua de mel, poderia até ignorar as cenas. Mas somando às demais cenas, deu a sensação de que a série se perdeu.

Não gostei das cenas sexuais, fiquei constrangida realmente. Poderia ter menos delas, e mais desenvolvimento dos personagens.

O que devemos considerar sobre a série e os livros

Adaptação nunca será idêntica ao livro. Sempre haverá mudanças, pois os leitores não são o único público-alvo. Há pessoas novas assistindo, que desconhecem os livros e seus enredos. Sendo assim, essas pessoas esperam algo típico de série, e não de livro.

Eu compreendo a frustração da maioria dos fãs, entretanto estou focando no enredo que a série está se propondo a contar. Não estamos sentados lendo um livro escrito por Julia Quinn, estamos vendo uma série produzida por outra pessoa.

Basta olharmos para outras obras que foram adaptadas para cinema e série. Não são iguais. Não sei se podemos cobrar isso das produtoras.

Senti que algumas mudanças vieram por um motivo, não foi uma mudança simples. Marina, Anthony, Colin, e demais personagens que deixaram os fãs descontentes, foram criados assim por um motivo.

Além disso, a série está em sua primeira temporada. Devemos ter a mente aberta ao entender que há coisas pela frente, para serem descobertas por nós.

Não é o fim dos tempos.


Leia também


Conclusão

Devo dizer que amei a série, sendo que a única coisa que poderia ser reduzida na segunda temporada seriam as cenas de sexo. Sei que vocês gostam, mas eu não me sinto confortável com sexo aparecendo á cada 20 minutos de tela, sem nenhum motivo.

Adorei os atores, não fiquei preocupada que não chegassem perto ao que imaginei. Toda vez que leio o livro imagino os personagens de maneira diferente. Pelo menos agora vou conseguir imaginar um rosto só, e não vários diferentes.

Não sou atenta sobre a atuação dos personagens, pois eu fico presa ao enredo. Queria analisar o enredo, saber o quão estranho seria daquilo que já me acostumei. Mas até que me interessei bastante, ri em várias cenas, torci em outras, xinguei em tantas demais.

Provavelmente irei reassistir para analisar melhor o enredo futuramente. Por ora, essa é a minha ponderação.

Assista a série na Netflix!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sobre a autora

Alis Green

Uma bruxa escritora que é viciada em animes. Adora estudar sobre mitologias e história, como também gosta de ler romances regenciais. Quando aprende alguma coisa nova, sempre passa à frente em seus posts.

Leia sobre esses artigos