Deusas Virgens – Arquétipos femininos gregos

Arquétipo das deusas virgens

Essa semana iremos conhecer o arquétipo de 3 Deusas gregas, que são conhecidas como virginais. Por nunca terem se casado, elas tem um relacionamento diferente com as outras pessoas. A forma como enxergam o mundo é diferente.

Levando em consideração que estaremos usando como base o livro de Bolen para esse mês, já aviso que há muita informação que eu cortei. Uma por ser repetitivo demais e outra para não me estender.

Basicamente o que essas três Deusas tem em comum é o fato de serem autossuficientes e focarem naquilo que elas consideram importantes. Diferente das outras Deusas, elas não sofreram nas mãos das divindades masculinas ou dos mortais que acreditavam nelas. A força dessas Deusas virginais era voltado para elas mesmas, e isso reverberava na sua relação com os outros.

Arquétipos das Deusas virgens

Estamos falando de Ártemis, Atenas e Héstia que são conhecidas como divindades virgens, que não tiveram relação alguma com o homem. Sendo assim, elas simbolizam a auto-suficiência, empoderamento e independência da própria mulher.

Em seus mitos dificilmente as vemos passando por algum apaixonamento. Podem até desenvolver afetos com homens, mas nenhuma relação chega a ser consumada. Geralmente isso quer dizer que nenhuma relação de afeto irá desviá-las de seus objetivos. Elas são focadas em conquistar o que desejam, e não há homem algum no mundo que as façam desvirtuar de tal caminho.

Tornando a falar dos mitos em que elas aparecem, são poucos os casos em que essas deusas foram atormentadas por uma figura masculina. Atena foi alvo de uma tentativa de sedução, porém não houve penetração, ela conseguiu se esquivar. Ártemis chegou a sentir afeto por um homem, porém ela mesma tirou a vida dele, pois fora enganada pelo irmão Apolo.

Apesar disso, elas não são incomodadas pelos homens. Elas se fortalecem por conta própria para que não se tornem vulneráveis à ninguém.



Deusa virgem da lua – Ártemis

Conhecida como Diana na mitologia Romana, arqueira de pontaria excelente, protetora da prole dos seres vivos.

Abandonou a cidade para se separar do homem e sua influência, passando a viver na selva junto de suas ninfas. Representa o grupo de mulheres que se unem e prestam serviços para outras mulheres. São pessoas denominadas “individualista rígida” que se move sozinha e faz o que lhe interessa. Não tem amparo pessoal ou aprovação por parte do homem ou de outras mulheres.

Personificação do espírito feminino independente. Possibilita à mulher procurar por seus próprios objetivos no terreno de sua escolha. Como divindade da caça e figura competitiva, Ártemis permite à mulher se concentrar inteiramente no que é importante, sem que saiam de seus caminhos. A competitividade também se torna uma característica dessas mulheres, uma vez que aumenta a sensação e energia para correr atrás de seu objetivo.

O movimento feminista adere ao arquétipo de Ártemis, como aquela que pune o homem que pratica maus tratos e salva a mulher e a criança de situações delicadas. Tal qual a Deusa que à todo instante salva sua mãe e pune os caçadores que ousam tentar contra ela e suas ninfas.

Inclusive, Ártemis trabalha com a irmandade ao lado de suas ninfas. A relação construída é equilibrada, tendo a deusa sendo vista como a grande irmã. O que novamente remete ao movimento feminista, onde a união das mulheres para ajudar uma a outra gera o sentimento de irmandade.

É um conforto familiar que não trata-se do materno.

Como uma divindade que corre pela floresta sob a luz do luar, podemos dizer que ao entrarmos em contato com a natureza, nos tornamos passíveis de conectar com a selva interior. Conectar-se com a natureza seria uma forma de se conectar com Ártemis, logo torna-se mais reflexiva.

Quando uma mulher compete em algum esporte, ou viaja para algum lugar ela pode se conectar ao arquétipo de Ártemis.

Deusa virgem da ação – Atenas

Conhecida como Minerva na mitologia Romana, divindade da sabedoria e habilidades manuais (artesanato), patrona de cidade que leva seu nome, protetora de inúmeros heróis. Retratada com armadura, e conhecida como uma excelente estrategista no campo de batalha.

É considerada como uma versão mais madura de Ártemis, por conta de já ter nascido adulta. Ou seja, sua visão é mais madura, assim como seu posicionamento e tradicionalidade.

Ela optou por se unir aos homens, tendo uma relação igualitária ou até mesmo supervisora por conta de sua posição como estrategista. Adapta-se a partir dessa identificação, sendo que as mulheres que seguem seu arquétipo aquelas que tem sucesso em corporações que são, tradicionalmente, exercidas por homens.

O elemento virginal dessa deusa a auxilia a evitar complicações emocionais e sexuais com os homens com quem trabalha. Dessa forma ela se mantém como conselheira, companheira e amiga, mas não como parceira sexual de um homem.

O seu arquétipo envolve pensar bem, manter a calma no cume de uma situação emocional, desenvolvimento de táticas em meio de conflitos. Não está relacionado a “parecer um homem”, mas sim seguindo o arquétipo da deusa. Na analítica, o fato da mulher pensar significa que o faz através do seu animus (energia masculina), diferindo-se do ego feminino.

Com isso a mulher se sente masculinizada. Porém, reconhecendo o intenso modus operandi de sua mente e o relacionando com Atenas, a mulher pode desenvolver uma auto-imagem feminina ao invés de masculina.

O arquétipo de Atenas prospera nas arenas comerciais, acadêmicas, científicas, militares ou políticas. Governa as mulheres que tem a inteligência ligada ao prático e pragmático, sem terem ações dominadas por emoções e sentimentos. A sabedoria por si só não é o suficiente, é necessário ligá-la com as ações que são as estratégias.

Filha do pai, o arquétipo de Atenas representa a mulher que tende à homens poderosos de autoridade, responsabilidade e poder, que se ajustam ao arquétipo patriarcal. Uma relação de fidelidade e defensora para proteger as prerrogativas masculinas. Ex: secretárias que são devotadas ao seus patrões.

A mulher se torna defensora dos direitos e valores patriarcais, que enfatizam o tradicionalismo.

Deusa virgem do fogo – Héstia

Deusa da lareira, conhecida como Vesta na mitologia Romana, divindade menos conhecida do Olimpo. Se faz presente em casas e templos como a chama no centro da lareira. Nem mesmo Afrodite conseguira fazer com que Héstia se unisse aos homens, e por isso Zeus a presenteou sendo aquela que recebe as melhores oferendas dos fiéis.

Preferindo um modo introvertido, se retraí em relação aos homens. Torna-se anônima preferindo ficar sozinha. As mulheres que seguem esse arquétipo podem negligenciar sua feminilidade para não ganhar a atenção masculina, nem para destravar situações de competição. Prefere cuidar de tarefas diárias, meditações coisas que dá sentido á vida.

Diferente das outras duas, que dirigiam sua energia para alcançar um objetivo externo, o arquétipo de Héstia trabalha com a energia interna. São aquelas mulheres que uma simples tarefa de meditação podem tirar um imenso autoaprendizado. Podemos dizer que são mulheres fortemente ligadas a sua intuição, tornando-se sensíveis a si mesmas.

Assim como as demais, Héstia não se relaciona com o outro. Sendo assim, é a partir da solidão que ela encontra seu ponto de paz. Por estar focando em si mesma, as mulheres desse arquétipo podem ser desatentas em relação aos sentimentos e emoções dos outros.

Héstia é a Deusa da lareira, do fogo sagrado, aquela que está presente em todos os lares para abençoar as famílias. Uma mulher que segue seu arquétipo cuida da própria casa com zelo e satisfação. Para elas, tarefas domiciliares são como atividades que lhe trazem paz de espírito.

Outra característica da Deusa Héstia é sua dedicação espiritual, que vemos em mulheres religiosas (como freiras) que deixam para trás sua identidade em prol de viver da fé. Religiões e crenças que trabalham o aspecto meditativo podem ter mulheres cujo arquétipo é o de Héstia.

Levando em consideração que ela é a Deusa mais velha dentre a primeira geração dos olimpianos, Héstia também carrega o arquétipo da velha sábia. Diferente dos demais deuses que se envolveram em batalhas, paixões e demais situações, Héstia manteve-se fora de tudo isso. Sendo assim, ela não é conectada ao externo, não sendo materialista e não sofrendo impacto das situações.

Esse arquétipo da velha sábia basicamente diz que Héstia seria alguém sábia e capaz de instruir os outros. Por já ter vivido e aprendido muito, ela tira sua sabedoria de vida para ensinar os outros. O arquétipo de Héstia estará em contato com os demais arquétipos o tempo todo, sendo sábio e trabalhando o interno.

Conclusão

Podemos dizer que o uso arquétipo dessas deusas irá gerar uma mulher que é autônoma, focando a própria percepção naquilo que lhe é significativo, e apenas aquilo. Ainda assim, entre essas três deusas temos algumas diferenças.

Ártemis e Atenas irão trabalhar o pensamento lógico, algo orientado para fora. São deusas determinadas e fortes, como um escudo de proteção. Já Héstia trabalha com o interior. Deusa do fogo sagrado, ela se torna o centro espiritual da personalidade de uma mulher. Sempre se lembrem que o fogo também simboliza o conhecimento. Logo, fogo interno pode estar ligado ao autoconhecimento, conhecimento do interno.

As três são arquétipos feminino que buscam ativamente seus objetivos. Ampliam a noção de atributos femininos, para incluir a competência e a auto-suficiência.

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Sobre a autora

Alis Green

Uma bruxa escritora que é viciada em animes. Adora estudar sobre mitologias e história, como também gosta de ler romances regenciais. Quando aprende alguma coisa nova, sempre passa à frente em seus posts.

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