4 clichês que adoramos encontrar nas histórias

4 clichês românticos

Há quem goste e quem não goste do bom e velho clichê, mas a experiência do leitor irá depender cem por cento das habilidades criativas do escritor. Ainda assim, você conhece alguns clichês que encontramos nos livros?

Dizemos que algo é clichê quando se torna comum e constante. Algo que é conhecido, como uma receitinha de bolo. Não importa quanto tempo se passe, mesmo que as tendências mudem o clichê sempre estará presente nas nossas vidas.

Muitos leitores detestam clichês, enquanto outros veneram o que é conhecido. Um ponto dessa história é o escritor saber utilizar o clichê a ponto de trazer algum novidade em alguma parte dele. Pode parecer difícil, mas você não estará sozinho nessa.

Se você está sem ideia do que escrever, se liga nessas sugestões de clichês!

Clichê #1 – Um rico que se apaixona pela garota humilde

Ultimamente esse tipo de clichê tem sido bastante trabalhado nos romances hot, graças ao sucesso de “50 tons de cinza”. Isso se dá pela capacidade de despertar o desejo, pois um homem de terno e gravata, com dinheiro no bolso, parece ser bastante sedutor para os leitores. Isso, é claro, olhando da perspectiva da sedução.

Os romances hot que trabalham com esse tipo de premissa querem despertar no leitor o desejo. Pois a pessoa rica irá se desdobrar para conquistar a companheira, enquanto ela resiste com firmeza, mantendo-se fiel aos seus princípios morais. Ou seja, esse tipo de romance é um tanto quanto competitivo e altamente atrativo.

Porém, temos outra perspectiva desse clichê.

Os doramas coreanos que fazem sucesso usam e abusam desse clichê, ao mostrar para o sujeito rico como a humildade pode ser aconchegante. Geralmente os herdeiros de empresas tem de lidar com o estresse do trabalho, tendo de cuidar e manter as aparências, pois um mero rumor entre os empregados pode causar problemas nas ações da empresa. E quando essa mesma pessoa estressada encontra um ponto de conforto na humildade de sua companheira, bem… é um tanto quanto libertador.

A grande chave desse tipo de clichê é mostrar que pessoas cujas realidades são diferentes podem desfrutar de uma nova perspectiva de vida. Aqueles que estão acostumados com a alta sociedade foram ensinados de uma maneira diferente dos que vivem como simples assalariados. Basicamente estamos falando de sair da zona de conforto e se apaixonar pelo novo.

Na minha época do orkut, eu adorava ler histórias nas comunidades sobre os romances entre os garotos populares e as meninas nerd. Era como se eu dissesse a mim mesma que de quando entrasse no ensino médio, poderia existir a chance de eu viver um romance como aquelas histórias, já que me enquadraria, de alguma forma, no conceito de nerd.

Spoiler: dez anos se passaram e estou esperando meu romance alá High School Musical.

Brincadeiras à parte. O que os autores, e eu, gostam de trabalhar nesse tipo de clichê é justamente a quebra do status quo. Populares só ficam com populares, nerds só ficam com nerds. Se pensarmos no início dos anos 2000, haviam muitos filmes da Disney que mostravam essa quebra de status quando um popular se apaixona pela nerd.

A grande chave desse tipo de romance é enxergar a beleza interna e não externa. O garoto popular pode ser reconhecido como o maior gato da escola, porém por dentro ele é bastante inseguro. Já a menina não tem um físico invejável e nem cabelo alisado pela chapinha, mas por dentro sua confiança e determinação são muito atrativos.

A premissa desse tipo de clichê é “se conheça melhor”. O que você mostra ao mundo é um reflexo do seu interno. Quem conhecer uma parte que jamais outra pessoa viu, provavelmente a sua aparência será o menor dos problemas.

Além disso… um personagem nerd pode incentivar os jovens a serem mais cuidadosos nos estudos haha.


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Clichê #3 – Cinderela

A história da Cinderela é um dos clichês mais reproduzidos tanto em filmes quanto em livros. A menina que passa o perrengue na vida sendo maltratada, encontra a sua felicidade no garoto popular ou no príncipe encantado. E viveram felizes para sempre.

Nesse tipo de clichê geralmente é trabalhado a questão da garota ser gentil até com quem não gosta, e ser recompensada pelo amor verdadeiro. Ou seja, enfrentar as dificuldades sem desistir lhe trará uma recompensa no futuro.

O que a maioria das pessoas gostam desse clichê é a facilidade em adaptá-lo para temas modernos. Podemos ver isso na quantidade de filmes sobre “nova história da Cinderela” que temos por aí. Alguns fizeram sucesso outros não, já que repetir a mesma história também não é uma sacada muito interessante.

O ponto desse clichê é justamente mostrar que a protagonista trabalha arduamente em seu dia a dia desejando chegar em um ponto. Realizar um grande sonho que a fará se sentir liberta de suas amarras. E em um ponto da história, um parceiro romântico passa a ser parte desse sonho, o que faz com que novos obstáculos surjam na vida da protagonista.

Viver presa em antigas tradições, trabalhando de pouco em pouco para ganhar a sua liberdade é uma perspectiva que poucos enxergam nesse clichê.

Clichê #4 – Romance a partir de apostas

Eu sei que você já leu alguma história onde os personagens se conhecem e começam a se paquerar sob pretexto de uma aposta. E então o amor vem naturalmente quando eles menos esperam.

Existem dois caminhos para esse clichê. O primeiro deles é o mais comum, onde apenas um personagem realiza a aposta com amigos sobre conquistar a garota (geralmente impopular) em tantos dias para garantir tal recompensa. E então ele se aproxima, faz amizade, ganha proximidade, convive com a garota e se apaixona por ela. Ela descobre, fica chateada, termina a relação, ele se dá conta que a ama de verdade e corre atrás da reconciliação.

Nesse primeiro caminho é interessante enxergar a mudança do personagem que fez a aposta, pois lenta e inconscientemente ele vai gostando da nova experiência e adquire novos hábitos que o afastam do antigo eu. Se ele adorava vagabundear, talvez a garota seja capaz de fazê-lo dedicar algumas horas à leitura, pois está a acompanhando e para ele isso basta.

Já o segundo caminho é onde ambas as partes estão conscientes da aposta e criam o plano de forjar a relação. Lara Jean que fale de sua experiência, não é mesmo? Nesse clichê os dois personagens tem consciência de há um limite nessa relação, e por isso irão fazer o seu melhor para não ultrapassarem. Contudo a convivência fazem com que se conheçam, e sigam o caminho “natural” da paquera.

Além disso, há a cumplicidade. Convenhamos, duas pessoas fingindo serem namorados para ganharem uma aposta ou desafio precisa de muito planejamento e estratégia para enganar as outras pessoas. Isso, para mim, é uma forma de trabalhar o companheirismo e a cumplicidade do casal.

Conclusão

Esses clichês podem parecer bastante repetitivos e chatos, mas quando o autor consegue trabalhar bem e trazer alguma novidade nele, o leitor irá amar. O clichê faz com que a gente repense e recrie ideias. É como um molde, onde podemos analisar o enredo e apontar onde serão feitas as mudanças.

Sendo assim, se você quiser escrever um clichê, vá em frente. Não tenha receio de que seja rechaçado por ser óbvio demais. Às vezes precisamos de uma história óbvia para apenas sonharmos com um amor tão gostosinho quanto aquele.

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Sobre a autora

Alis Green

Uma bruxa escritora que é viciada em animes. Adora estudar sobre mitologias e história, como também gosta de ler romances regenciais. Quando aprende alguma coisa nova, sempre passa à frente em seus posts.

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