O Deus Cornífero pagão

Cernnunnos

Vamos falar sobre o Deus, conhecido como filho e consorte da Deusa da cultura pagã. O objetivo é tirar qualquer dúvida á Seu respeito, e apresentá-lo devidamente aos iniciantes.

Quando comecei a estudar a bruxaria, me deparei com o nome Deus Cornífero. Por ter vindo de uma família cristã, bateu aquele medo de ser coisa do demônio. Admito que fiquei receosa de ler conteúdo sobre o Deus, apesar de já ter lido sobre a Deusa.

Mas não tem como estudar bruxaria e Wicca sem, pelo menos, ler e entender a representação do Deus. E aí que se torna importante o posicionamento dos bruxos em explicar, de forma entendível, sobre quem é esse Deus Cornífero.

Agora que já me acostumei com a nomenclatura, e compreendi o motivo de ser chamado de tal forma, passo á vocês, bruxos iniciantes, o meu aprendizado.

O Deus pagão e o mau entendido

A figura do Deus dentro da bruxaria e na Wicca é um assunto que pode gerar discussões com quem segue doutrinas cristãs. O fator principal é a representação Dele, Cernnunnos, uma divindade celta que tem sobre sua cabeça galhos.

Deparar-se com tal figura, pode fazer-se pensar que os wiccanos e demais bruxos adoram o demônio, pois se trata de uma divindade com chifres, mas não é bem assim que funciona.

É primordial lembrar-se que os demônios são parte da cultura cristã, onde bem e mal não fazem parte de uma mesma pessoa. O bem é representado por uma figura e o mal por outra, jamais a mesma. Já na Wicca é ensinado que temos luz e sombra dentro de nós, fazemos o mal e também praticamos o bem. Nada é culpa de uma divindade, nada é culpa de alguém além de nós mesmos, meros humanos.

E conseguimos entender isso a partir do momento que aceitamos que tal dualidade faz parte da nossa natureza. Assim como um leão pode assustar e atacar alguém, mas com um determinada pessoa ele ter um comportamento similar á de um gato doméstico.

Resumidamente, os wiccanos e os bruxos (em parte deles), não acreditam no demônio, e por conta disso se torna difícil cultuar algo que não acredita.

Outro ponto que é necessário falar é sobre o nome á se referenciar ao Deus. Assim como a Deusa, Ele não tem um nome único, mas sim infinitos que variam com o panteão e cultura do bruxo.

O Deus e o renascimento

Quem já estudou a Roda do ano, com certeza deve ter notado que há uma “história” a ser contada. Da mesma forma que a Deusa passa por suas faces, o Deus também passa enquanto nos ensina sobre o ciclo da vida e do renascimento.

Ele é filho da Deusa, nascendo no Yule, em meio á escuridão sob a promessa de trazer o Sol de volta, onde vai crescendo e se tornando forte. Na primavera vemos sua face jovem, além de ser considerado o protetor das florestas, dos animais Ele também é considerado o caçador.

Em Beltane, o Deus e a Deusa se unem sexualmente onde é deixada a semente. Nessa época, os wiccanos associam os alimentos ao Deus, por serem frutos da fertilidade Dele e da Deusa. É uma época de plantio, sendo assim, a conotação da fertilidade agrícola é simbolizada pela união sexual de ambos.

Na chegada do outono, o Deus vai morrendo enquanto a Deusa já gera a semente do renascimento. Com os tempos frios se aproximando, as plantações são colhidas para servirem de estoque, assim como a caçada é promovida. Em Lammas, o Deus cede sua vida para prontificar alimento á seus filhos durante os tempos frios.

Após o Seus sacrífico, o Deus retorna para o corpo da Deusa onde se prepara para renascer e iniciar o ciclo novamente.


Leia também: Conhecendo a Roda do Ano


O Deus é filho e consorte

Um outro ponto que chama a atenção de muitas pessoas, e acaba trazendo um mau entendido é a questão do Deus ser filho da Deusa e seu consorte. Os iniciantes podem pensar que trata-se de um incesto, sendo que não é isso.

Primeiro ponto que devemos nos lembrar de quando estudamos sobre a Deusa, somos gerados por Ela e é á Ela que retornamos. A pequena “história” da Roda do Ano representa essa frase através dos sabbats.

Ou seja, é para entendermos o ciclo da vida que segue naturalmente, e o Deus representa os filhos que são gerados pelas mulheres, e que mais tarde irão se unir á outras mulheres.

Como consorte, o Deus está em um papel do Sagrado Masculino. Lembre-se sempre que na Wicca, (salve tradições feministas que excluem qualquer divindade masculina) há o equilíbrio entre o feminino e o masculino.

Se você não entendeu como pode haver tal equilíbrio, pense que o feminino é doadora da vida, enquanto que o masculino é a fertilidade. Não há como gerar vida sem a fertilidade, sem uma semente.


Leia também: A Deusa sagrada da bruxaria


A representação do Deus

Muito bem, no primeiro tópico eu comentei sobre o Deus ser representado com galhos, chifres sobre sua cabeça. Se pensarmos bem, é uma analogia ao veado que tem suas galhadas e vive na floresta.

Caso não saiba, os veados e alces machos usam de suas galhadas para “lutar” contra outros machos, afim de conquistar uma fêmea para a reprodução. Essa luta natural pode quebrar as galhadas, porém não é isso o que faz elas caírem no inverno.

Sim, as galhadas desses animais cai no inverno e voltam a nascer na primavera. Segundo o que algumas revistas falam, trata-se da baixa produção de hormônios que ajudam a desenvolver as galhadas, assim como é uma forma de evitar carregar peso durante o inverno (afinal, as galhadas podem pesar até 12 kg).

Conseguem notar a semelhança com alguma coisa?

É isso mesmo, a figura do Deus é bastante similar ao que é dito sobre os veados e alces. Por isso é uma ótima de forma de representa a vida natural, tal como ela é cheia de começos e recomeços.

Além disso, Claudiney Prieto fala em seu livro “Wicca para todos” sobre as galhadas dos veados fazerem lembrar os galhos de árvores, que também passam pelo ciclo durante as estações do ano.

Estudando alguns panteões e suas mitologias, poderemos encontrar o veado sendo representado como um animal sagrado ou até mesmo representando algo, como um mensageiro. Se for do interesse de vocês, posso fazer um post focado nisso.

Conclusão

Podemos dizer que o Deus é carinhoso, viril, corajoso, caçador, unificador, sexualmente indomável. Sua imagem foge completamente do que é pregado á respeito do masculino em nossa atualidade.

Quando é comemorado os sabbats, não é feito orgias ou sacrifícios, apenas um momento de conexão com a natureza, a Deusa e o Deus.

Todos nós carregamos o masculino e o feminino em nosso ser, assim como tudo em nossa volta.

O Deus também tem diversas faces, sendo representado por diversas figuras de diversos panteões.

Fontes

Wicca para todos – Claudynei Prieto

Wicca para iniciantes

2 Comments

  1. Essa é uma das histórias mais lindas e esclarecedoras que já ouvi. Digo história, pq não sei exatamente como definir.
    Muito obrigada pelo post.

    1. Gratidão por ter gostado do conteúdo!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Leia sobre esses artigos