Bruxaria Caminho da Lua

Anima e Animus na Bruxaria Natural

anima e animus na bruxaria natural

Você já ouviu falar sobre Anima e Animus? É um termo da psicologia analítica, citada por Carl Jung para se referir à uma identidade interna que temos. Por incrível que pareça, esse assunto pode ser trabalhado dentro da bruxaria natural, pois estamos em constante autoconhecimento e equilíbrio com nós mesmos, não é?

Se é um bruxinho da lua e acompanha Lua Natural pela newsletter, esse assunto já é do seu conhecimento, pois foi um dos emails enviados nesse mês. Agora, se você não está inscrito em nossa Newsletter, vou cutucar sua curiosidade um pouquinho.

Resolvi trazer um dos emails como uma apresentação formal do tipo de conteúdo que entregamos para os bruxos iniciantes. Além de teoria, esse email trabalhou com atividades para os bruxos fazerem, mas que nesse post ele foi retirado.

Antes de torcer o nariz por eu estar falando de um tema da psicologia analítica na categoria de bruxaria natural, saiba que esses dois adoram se conversar. Psicologia, Bruxaria e Filosofia são as três marias que compõem o conteúdo da Lua Natural, e nesse post o farei compreender o por quê.

Então vamos ao que interessa.

O que é Anima e Animus?

Se você é um homem, é provável que há um elemento feminino em seu inconsciente que se denomina Anima.

Se você é uma mulher, é provável que há um elemento masculino em seu inconsciente que se denomina Animus.

Essa é uma teoria antiga, que antecede a comprovação física e biológica de que carregamos genes de ambos os sexos. Isso se torna explícito quando chegamos na velhice e há uma mudança em nossos corpos, até mesmo as mulheres começam a ter mais pelos na face, homens começam a ter a voz mais fina. Nesses casos, compreendemos que há algo acontecendo em nosso organismo, algo que durante toda a vida esteve em baixo nível e que aumenta nessa época (no caso seriam os hormônios).

No entanto, nessa teoria estamos falando de Psiquê, e não do Soma. E quando se trata da Psiquê, compreendemos que não é algo fácil de manusear e controlar. Dependendo da pessoa, pode ser até difícil de ver e admitir.

Estamos falando de humores, sentimentos, intuições, receptividade aquilo que é considerado irracional, e a relação com o nosso inconsciente. É lá que se encontram nossa Anima/Animus.



A história do esquimó iniciado

No livro de Jung intitulado “Homem e seus símbolos” há uma pequena história de um jovem esquimó que foi iniciado por um velho xamã sendo enterrado por ele na neve. Entrando em um espécie de coma, esse jovem enxerga a imagem de uma mulher que emitia uma luz e lhe ensinara tudo o que era necessário. Além disso, ela teria auxiliado o jovem a se comunicar com forças do além.

Segundo o que se diz, alguns xamãs dos esquimós chegam a utilizar roupas femininas ou seios desenhados nas roupas, como uma forma de trazer a tona esse anima que os ajudará a se comunicar com o país dos espíritos.

Podemos perceber, nesse caso, que os homens compreendem que para se comunicar com a força divina, eles devem estar conectado com a essência oposta à sua biologia. O fato de termos um Soma masculino ou feminino é apenas a metade de uma laranja, aquilo que é mostrado exteriormente. Já o que se encontra no interno, mais escondido (e algumas vezes renegado) seria a outra metade da laranja.

Para se conectar com o divino, essas duas metades devem ser unidas e equilibradas. Nenhuma delas deve ser negada ou fingir que não existem.

A relação da Anima e Animus na bruxaria natural

Uma vez que compreendemos a existência da essência feminina e masculina dentro de nós, conseguimos compreender a busca de equilíbrio.

Muitos bruxos gostam de estudar o Taoismo, que trabalha nessa linha de pensamento filosófico e está presente na astrologia. Temos a energia Yin que é feminina e receptiva representada pela cor escura, e o Yang que é masculino e ativo, representado pela cor clara. Por serem opostos, eles se completam.

É necessário haver um equilíbrio entre as duas forças para que possamos nos tornar completo. Vemos isso constantemente dentro da bruxaria, principalmente com os quatro elementos simbolizados pelo pentagrama.

Com certeza você já deve ter ouvido falar sobre a chama gêmea. Tal linha teórica carrega a história de que antigamente o ser humano era completo enquanto espírito, mas que ao nascer ele se divide em duas partes. Passará sua vida procurando a sua outra metade.

Claramente que isso vai além de um homem procurar por uma mulher, falando no sentido biológico da coisa. Quando estamos praticando bruxaria sempre iremos falar do espírito ou da Psiquê.

Em nosso dia a dia sabemos que essas duas energias estão presentes, e temos de constantemente trabalhar com elas para buscar tal equilíbrio. Infelizmente, com o patriarcado a energia feminina costuma ser reprimida, e por isso muitas pessoas não conseguem trabalhar com a própria intuição ou serem receptivos à certos estímulos. Na verdade nos encontramos em uma sociedade masculina, onde a energia ativa é considerada essencial.

Dependendo da linha pagã que você irá seguir, como a Wicca, você irá se deparar com a terminologia Deusa-Mãe e Deus-Pai. Essa dualidade também pode ser trabalhada em sua jornada mágica para falar de si mesmo, afinal de contas somos todos seres divinos. Encontramos desses Dois dentro de nós.

O Sol e a Lua como representatividade de Anima e Animus

Como na bruxaria natural trabalhamos com símbolos para tornar mais compreensível certas questões, então trabalhei com o arquétipo de sol e lua.

É muito fácil para os bruxos entenderem como trabalhar a energia feminina e masculina dentro de si quando estamos usando esses dois astros como referência.

O sol é aquele que ilumina por conta própria, sempre brilhando tornando impossível olhar para ele diretamente. Em nossa português nos referimos ao sol como masculino. Ele segue seu ciclo de forma lenta durando o período de 365 dias, e conseguimos homenagear cada impacto seu em nossa vida através dos sabbats.

A lua é aquela que precisa da luz do sol para que possa emanar um baixo brilho, sendo esse o motivo de ela representar o nosso inconsciente e demais aspectos que dificilmente são vistos por nós. Em nosso português nos referimos à Lua como feminino. Segue seu ciclo mais ligeiro em comparação ao Sol, tendo seu ciclo a cada 28 dias. Bruxos celebram o seu impacto em nossa vida através dos esbats.

No panteão grego nós temos a figura dos irmãos gêmeos de Apolo e Ártemis como representantes desses dois astros. Não são vistos como amantes, mas sim como irmãos, que se amam e se completam de certa forma. São opostos, ao mesmo tempo que são idênticos. Se pesquisar bem, devem existir essa mesma representatividade em diversos outros panteões presentes.

O Sol e o externo

O Sol seria aquilo que apresentamos ao mundo, a nossa relação com o externo. Se você se identifica com o feminino ou masculino externamente, então é essa energia que irá trabalhar para fora.

Usarei um exemplo baseado em senso comum para clarificar isso. Supondo que uma mulher se identifica com o feminino, mas que não se sente feminina pois ela não enxerga seu corpo e seus comportamentos como femininos. Podemos dizer que ela não sente que a energia feminina está sendo externalizada como ela deseja.

Nesse caso, seria indicado ela compreender qual tipo de energia feminina que ela deseja emanar, e de onde vem quando observa isso vindo de outras pessoas. Para algumas podem ser as vestimentas, acessórios, modo de se portar, modo de falar, de andar, etc. É simplesmente a forma como ela se apresenta ao mundo.

Podemos dizer que em seu mundo interno há o animus, uma energia masculina que está sendo projetada para fora não dando espaço para a energia feminina trabalhar.

A Lua e o interno

A Lua seria o mundo interno, a relação com nós mesmos que independe (de certa forma, e em algumas ocasiões) do mundo externo.

Levando em consideração o estilo de vida que o homem moderno leva atualmente, nos desconectamos com a energia feminina tanto interna quanto externamente. Não é de se estranhar que atualmente há pessoas engajadas em falar de intuição, sensibilidade, capacidade de cuidar e nutrir indo além da mulher. É como se normalizassem o natural.

Um exemplo para você compreender melhor seria o homem se permitir sentir, cuidar e nutrir a si mesmo, independente de ser considerado “macho” pelos outros. É aquela pessoa que se permite sentir. Há um desejo de se conectar com sua essência, e de compreendê-la sem renegá-la.

Trabalhar a anima envolve aspectos e características que não são físicas, muito menos mensuráveis.

Como equilibrar as duas energias com a bruxaria natural

Como estamos buscando o equilíbrio de duas energias, tanto fora quanto dentro de nós, é óbvio que estaremos trabalhando o corpo e mente em conjunto.

Existem diferentes formas de se trabalhar com o equilíbrio energético desses sagrados. Peço encarecidamente que assuma esse compromisso consigo mesmo, e faça anotações em seu diário mágico ou livro espelho para que você se torne consciente das mudanças que irão ocorrer.

Lembre-se de uma coisa, será necessário uma avaliação prévia para saber com qual energia você se identifica nesse momento. Uma forma fácil de saber é através da própria astrologia. Se você já tem cadastro em algum site que realiza um mapa astral, vá até seu perfil e veja qual a polaridade que se encontra em maior porcentagem: yin ou yang.

Segundo passo e tentar identificar essa energia em suas ações e pensamentos do dia a dia. Isso não deve incluir sonhos, tudo bem? Comece pensando se é uma pessoa introvertida ou extrovertida; Se costuma ser mais ativa ou passiva; Prefere exercícios físicos ou mentais.

Uma vez que você percebe em quais pontos aquela polaridade, ou energia, está atuando, deverá analisar quais são os contrapontos. Nem sempre temos atitudes que gostamos, e para trazer o equilíbrio é necessário fazer um pouco do oposto. Se sua polaridade é yang, então precisa trazer mais do ying em sua vida, e vice-versa.

O equilíbrio através dos arquétipos

Uma outra forma de se trabalhar com o equilíbrio das energias de tais polaridades é através do arquétipo. Esse é outro termo que Jung trabalha e que conversa diretamente com a Bruxaria através dos mitos.

Os mitos são histórias que vem nos mostrar o desenvolvimento sagrado do próprio homem ao alcançar o divino. Eles detém diversos simbolismos e significados que podem nos ajudar sempre que precisarmos.

Na bruxaria, e em alguma religiões, as divindades ocupam o papel de arquétipos. Usarei o panteão grego como exemplo, por ser o mais conhecido. É muito comum as pessoas desejarem desenvolver a beleza e a sensualidade fazerem rituais para Afrodite. Ou então, quando deseja se aventurar no amor e no apaixonamento, pedirem ajuda de Eros.

Nesse caso, em específico, não estaria falando para você realizar um ritual para alguma divindade pagã, mas sim de conhecer a história de um. O que aquela divindade poderia lhe sugerir para desenvolver tala tributo? “O que diria Ares para mim, se eu precisasse de mais iniciativa ao lidar com os meus problemas?”.

Pesquise por divindades e conheça-as o suficiente para poder compreender como elas trabalham dentro de seus atributos, e como você pode fazê-lo em seu dia a dia. É uma tarefa trabalhosa e precisará de interpretação, mas garanto que o uso arquetípico dos deuses lhe aproximará deles e de seus ensinamentos.



Conclusão

Esse tema ainda pode render uma segunda parte, diante de tamanho material de estudo da qual Jung nos propõem.

Mas aqui deixo apenas uma curiosidade para que você, bruxo iniciante, possa aprender a olhar para si mesmo e usar a bruxaria natural como via de autodesenvolvimento, tanto interno quanto externo.

Tenha cuidado ao buscar contato com alguma divindade, e seja curioso em conhecer suas histórias. É uma lição que sempre digo aos bruxos da lua.

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