Arquétipos de Carl Jung: 14 exemplos para aprendermos
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Arquétipos de Carl Jung: 14 exemplos para aprendermos

Os arquétipos são falados tanto na psicologia quanto no marketing, porém também podemos encontrá-los na escrita.

Vamos conhecer um pouco mais sobre os arquétipos, e como eles funcionam. Em seguida, irei apresentar alguns deles, afinal existem vários! Sendo assim, somente uma pequena parte serão apresentados.

Inconsciente coletivos até arquétipos.

Primeiramente devemos entender o que precede os arquétipos.

Dentro da psicologia, o inconsciente é muito discutido e cada profissional tem sua teoria. Porém, como estamos falando de arquétipos, logo estamos lidando com uma teoria de Carl Jung, então temos de falar de Freud. Isso porque Jung seguiu os preceitos de Freud, para depois criar sua própria linha de teoria que é a psicologia analítica.

Entendido? Vamos lá!

Podemos entender que o inconsciente, segundo as teorias freudianas, seria um espaço de concentração de conteúdos que foram esquecidos e recalcados pela pessoa. Estando nesse espaço, eles adquirem um significado prático.

Esse espaço, que seria uma camada superficial, é denominado de inconsciente pessoal. No entanto, esse inconsciente pessoal repousa sobre uma camada mais profunda. Tal camada não tem origens em experiências pessoais do próprio sujeito, e por isso é considerada inata.

A camada mais profunda é chamada de inconsciente coletivo. O conteúdo que se encontra nele são idênticos em todos os seres humanos. Seus conteúdos são denominados de arquétipos.

Como podemos definir os arquétipos

De forma resumida, o conteúdo do inconsciente pessoal advém de nossas experiências, aquilo que aprendemos e recalcamos na medida em que vivemos.

Já o inconsciente coletivo é algo que vem conosco desde o nascimento, por isso considerado inato. Seu conteúdo não precisa ser aprendido, e segundo as teorias, seria como uma informação passada de geração em geração.

Para exemplificar, os bebês dos tempos atuais tem mais facilidade em deslizar o dedinho na tela do tablet ou do celular. Ele não precisa passar por um processo de aprendizado. Seria informações que nos auxiliam no desenvolvimento da personalidade. E ela é antiga, sofrendo mudanças e adaptações na medida em que o ser humanos vai evoluindo.

Sendo assim, podemos dizer que os arquétipos seriam uma espécie de exemplos e modelos de conteúdos presentes em nossa psique.

“Todos os conteúdos arquetípicos são formados pelas experiências e vivências de cada ser humano”.

As representações fortes e presentes nas religiões, artes, ciências, mitologias são remetidos aos arquétipos. É a partir disso que podemos identificar os padrões de comportamentos e imagens, que se encontram no inconsciente coletivo.

Os arquétipos sendo usados na atualidade

Claramente que hoje em dia é muito comentado sobre os arquétipos, tanto no marketing quanto na escrita. Pretendo fazer um post falando propriamente sobre aplicá-los em nossos enredos, então irei focar mais no marketing.

Sendo utilizado a partir dos anos 80, os arquétipos se tornaram mais fortes no marketing no século XXI. O motivo de serem introduzidos nessa área envolvem na relação entre empresa e consumidor, tornando-a mais forte e conectada. Evita-se o superficial.

Quando a empresa faz o uso de um arquétipo, desenvolve-se uma personalidade também que auxilia na construção da imagem dessa empresa. Sendo assim, quando se compra um produto há todo um valor envolvido, que se conecta ao consumidor.

Por isso é comum que ao fazermos cursos de marketing, seja falado da persona, branding, visão, valores. Tudo isso é construído a partir do arquétipo escolhido como base da empresa.

Exemplos de alguns arquétipos

A lista de arquétipos é imensa, existem vários! Porém, irei ilustrar alguns que são presentes tanto na psicologia quanto no marketing.

O amante

Envolve aquilo que é íntimo e amoroso, voltado para construir relacionamentos. Por isso são românticos, quentes e sensuais que marcam as pessoas. Como querem ser desejados, sua experiência é relacionada á intimidade e proximidade, ampliando sua capacidade de atrair os outros.

No entanto, não estamos falando só da relação sexual, há essa proximidade com os amigos e a família. E um ponto “negativo” desse arquétipo é o excesso de preocupação sobre sua imagem á ponto de perder sua identidade, por conta dessa busca do prazer.

Dentro do marketing, além de trabalhar essa sensualidade há a questão de despertar a sensação de que a conversa com o consumidor é exclusiva.

Anima e animus

Animus é a energia masculina, racional que existem nas mulheres, e a anima é a energia feminina, emocional que existem nos homens. Ou seja, é uma imagem espelhada no sexo biológico.

É dito que cada sexo manifesta atitudes e comportamentos do outro, que podem ser resultado de experiências com pessoas do sexo oposto (pais, irmãos, filhos, parceiros).

Levando em consideração os tempos que vivemos atualmente, é mais complicado aceita a anima ou animus. Seja por questões culturais, sombras enfim.

O cara comum

Esse é o arquétipo da conexão e pertencimento. Prático, solidário e fiel, socializa e dá a sensação de pertencimento um ao outro. Apesar de não gostarem de se destacar entre as pessoas, ele vai estar lá presente sendo amigável. Uma frase que não o incomoda é “ser mais um”.

De forma resumida, o cara comum busca ser igual aos demais, tendo empatia com quem o cerca, buscando ser aceito por eles. Mas não tenta ser superficial, mas sim genuíno.

Dentro no marketing é visto celebridades em situações comuns, das quais as pessoas se conectam. Então o consumidor pensa que ele também poderá vivenciar aquela situação (sensação de poder pertencer aquele mundo).

O criador

Assim como o nome do arquétipo fala, estamos em torno do criativo, criação, ideias. Usá-lo remete á criar algo que tenha valor, mas que cause impacto significativo para persuadir os outros. Através de sua criatividade e imaginação, sempre inova sua arte, o que o deixa deveras empolgado.

Quando não sente que está deixando sua marca na mundo, pode sentir-se mal e inútil. É preciso tomar cuidado para não seguir o caminho do perfeccionismo, ou então sofrer com os bloqueios criativos.

Dentro do marketing, o criador também gosta de compartilhar conhecimento, valorizando as ideias por mais bobas que pareçam.

O explorador

Quando falamos de explorar, não evoca a sensação de liberdade? A busca de algo? Pois é bem assim que podemos explicar esse arquétipo.

O explorador busca pelo novo, encontrar si mesmo a partir de novas experiências, com desafios, pois gera uma sensação gratificante e emocionante. Ele sente necessidade de desvendar o mundo, buscar a liberdade e se aventurar pois somente assim se encontrará.

Podemos dizer que é algo bem pessoal.

No entanto, esse arquétipo pode trazer um certo sufoco por se manter muito tempo em algo. Como o objetivo é buscar o novo, permanecer tempo demais em uma situação pode causar desconforto. Como por exemplo, os relacionamentos e empregos.

Dentro do marketing, as empresas utilizam imagens de movimentos e cenários diferentes que dão a sensação de explorar ambientes diferentes sem parar. Dessa forma, o consumidor pode se sentir convidado á desafiar á si mesmo.

O governante

Governante nos remete ao poder, controle, responsabilidades. O arquétipo trabalha a vida próspera com responsabilidade, seguindo padrões de organizações para ajudar os outros á fazerem o mesmo. Sendo assim, eles inspiram os outros á serem dessa forma.

Esse arquétipo também trabalha com liderança e influência, que guia bem as pessoas mesmos nas situações complicadas. Afinal de contas, por estar no controle, ele pode ter uma vista clara daquilo que funciona e não funciona. No entanto, quando mau trabalhado ou exagerado, pode se tornar autoritário.

No marketing, o governante tem facilidade em falar com os outros chegando a ser persuasivo. Ele consegue unir as pessoas em torno do produto com o seu carisma. Além disso, desperta a sensação de poder, glamour, status e ostentação.

A grande mãe

O arquétipo da grande mãe envolve a figura que nutre e dá a vida, ligado á fertilidade. No entanto, ao mesmo tempo que ela dá a vida, também tira. Sendo assim, ela pode ser vista como aquela que cria e que destrói.

Esse arquétipo é facilmente encontrado nas mitologias e religiões (como a Wicca). As lendas e histórias mostra a possibilidade de uma faceta até controladora.

O herói

Pode ser parecido com o governante, mas aqui o herói não busca liderar as pessoas e sim, trabalhar com a coragem e determinação para influenciar as pessoas. Com coragem, causam impactos positivo ao resolver um grande problema.

Sua motivação é provar o seu valor, trabalham duro para desenvolver as habilidade que sentem necessidade de ter. São orgulhosos sobre como sua produtividade pode ser diferente das demais. Sentem necessidade de enfrentar desafios, inclusive as derrotas e falhas.

Muito utilizado nos protagonistas das histórias, são aqueles que provam sua competência a partir da atos grandes.

Dentro do marketing envolve as histórias de superação das pessoas, principalmente celebridades.

O inocente

Simples, puros acreditam que o mundo é, de fato, um bom lugar. Os inocentes carregam aquela aura de bondade, espontaneidade, autenticidade e realidade, chegando a ser transparentes. Diante dos problemas e situações difíceis, esse arquétipo trás resoluções simples.

Pode ser visto como um arquétipo otimista, por conta de suas emoções positivas. Podem ter problemas com mudanças, por se sentir bem onde está naquele momento.

No marketing, a inocência pode ser muito explorada, desde crianças conhecendo o mundo quanto mulheres sendo empoderadas.

O mago

O arquétipo do mago é voltado para crenças fortes sobre ideias, compartilhando com os demais. Por verem o mundo de maneira diferenciada, suas ideias são inovadoras, no entanto eles podem se tornar manipuladores.

Desejando compreender como as coisas surgiram, e manipulá-las á seu favor para tornar os seus ideias reais e cumpridos. No entanto, chegado o ponto de manipulação e perda do controle da situação, o mago consegue refletir em um momento de introspecção para resolver o problema.

No marketing, o arquétipo do mago usa do mistério, improviso e magia para transformar o senso comum e a realidade da sociedade.

A persona

É a imagem á nosso respeito, que passamos para a sociedade. Tal imagem não chega a ser similar á nossa personalidade, porém ela corresponde as normas que a sociedade impõem.

No marketing é usado o termo persona, porém é utilizada de outra forma. É um meio de as empresas se conectarem com o público alvo.


Leia mais: Persona e público alvo: como conversar com eles


O rebelde

Essa força contrária á autoridade, busca conversar com pessoas que são consideradas excluídas da sociedade. Podemos dizer que quebram as regras, mas é um bom arquétipo para sair do círculo vicioso que a humanidade segue.

Assim como o explorador, o rebelde também é um espírito livre por estar á frente do seu tempo. De certa forma, ele desperta o desafio nas pessoas, para explorarem o que não é considerado convencional.

Dentro do marketing essa inovação é muito questionada ao mesmo tempo que é esperada. As pessoas querem o novo, porém quando algo muito grande surge, elas ficam desconfiadas e receosas de acatar.

O sábio

São arquétipos do mentor, professor, consultor, aquele que usa da própria inteligência e conhecimento para incentivar os outros á refletirem também. Como ele está comumente buscando entender as coisas, o sábio passa o seu conhecimento á frente ao ajudar os outros com insights.

Dependendo de como for utilizado, o sábio pode procurar o conhecimento apenas para si mesmo, não tendo um objetivo específico ou voltado para o outro. Por estar nessa constante busca de conhecimento, o sábio se torna distante das pessoas e suas relações.

No marketing, o melhor exemplo que há é o Tedx, com suas palestras repletas de ensinamentos. Então, podemos entender que o sábio aqui vai trabalhar, literalmente, nessa transmissão de conteúdo.

A sombra

Esse é diferente da persona, anima e animus. Estamos falando daquilo que escondemos de nós mesmos dentro do inconsciente. Por não aceitarmos essas características, seja por qual motivo for, elas ficam presas no inconsciente.

O tolo

Também conhecido como o bobo da corte, ele busca apenas a diversão. Não se prende ao que os outros pensam, sua personalidade é espontânea e brincalhona. A alegria e o bom humor pode ser usado para trazer a felicidade aos outros, no entanto, esse arquétipo pode usá-la como uma máscara da própria dor.

No marketing, esse arquétipo é utilizado pelas marcas de cerveja, onde as pessoas estão fora da correria da rotina, tirando um tempo para desfrutar daquilo que lhe deixa feliz: beber cerveja.

Conclusão

Os arquétipos podem ser usados de diferentes formas, no entanto é preciso ter um certo cuidado pois o excesso pode nos prejudicar.

Como existem vários tipos de arquétipos, é interessante tomar um cuidado para não misturar os significados. E claro, vale lembrar, eles são usados tanto no marketing quanto na própria vida. Tem gente que liga os arquétipos á astrologia.

Estude bem esse assunto caso queira usá-lo em sua vida. Não se esqueça que não importa qual deles use, você irá mudar muita coisa, desde personalidade até hábitos rotineiros.

Fontes e materiais de leitura

Cristiane Thiel – Arquétipos de marca: qual a personalidade da sua marca

Rock Content – Arquétipo de marca: o que é, 12 principais arquétipos e exemplos

Psicanálise clínica – Lista de arquétipos: os 8 arquétipos de Jung

Hipercultura – Como os arquétipos de Jung explicam a personalidade humana?

Trilha do universo – Conhecendo arquétipos #1: definição dos 12 exemplos mais comuns

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