O narrador como um personagem extra
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O narrador como um personagem extra

Nesse post irei ensinar uma técnica que desenvolvi enquanto revisava o meu livro “Feiticeiro Branco”. A chamo de narrador como personagem extra.

O narrador é uma peça importante de um enredo, pois é ele quem irá contar a história e se relacionar com o leitor. Sendo assim, não podemos ignorá-lo na hora de planejar a nossa história.

Para alguns, o narrador e o fio narrativo pode ser um bicho de sete cabeças amedrontador. Mas cá estou eu para facilitar as coisas para você, trazendo uma técnica que desenvolvi há pouco tempo.


Leia também: O narrador e os fios narrativos


Antes de começarmos, peço que leiam a postagem sobre os fios narrativos. Estabelecendo como será feita essa narração, talvez não seja necessário ler esse post (no caso de usar a primeira pessoa). Sim, esse post é voltado para o narrador em terceira pessoa.

Vamos olhá-lo sob a ótica de um personagem extra. Assim fica mais fácil de desenvolvê-lo.

O narrador como personagem

Sabe aqueles filmes ou séries que tem um narrador, e lá no final ele aparece como um personagem que participou da história? Pois bem, é mais ou menos isso que iremos trabalhar.

Quando falo em personagem, estou o colocando junto dos demais que irão aparecer na sua história. Só que ele é especial, pois poderá saber dos sentimentos de todos os demais, de tudo o que aconteceu, acontece e vai acontecer.

Não irá interagir com os demais, e muito menos irá aparecer nos cenários. A menos que seja do seu desejo, pois isso é possível.

Sendo assim, você irá dar um corpo, características físicas, de fala, e um nome. Apesar de parecer floreios, imaginando-o de tal maneira você irá desenvolver as características da fala, e esse é o ponto que eu quero chegar.

Tornando-o um personagem, conhecemos de suas manias, gírias, maneirismos e outras características. É uma forma de desenvolver seu narrador, para além do fio narrativo.

O que devemos desenvolver nesse narrador

Uma vez que foi desenvolvido a sua figura e foi imaginado o seu corpo físico, conseguimos definir a sua fala. Aqui vai uma lista de tópicos sobre a fala desse personagem.

  • Maneirismos;
  • Gírias;
  • Fala formal ou informal;
  • Tipos de palavras que ele costuma usar;
  • É detalhista ao contar algo?
  • Tom de voz;
  • Fala rápido ou devagar?
  • Gosta de contar as histórias desde o começo, ou apenas o que importa?
  • Quão longa são as suas falas?
  • É atento aos cenários?
  • Quão bem conhece os personagens;
  • Ele é do tipo de conta absolutamente de uma vez ou prefere guardar segredos sobre os fatos?
  • Que tipo de informação ele mais se atenta? Podem ser emoções, fisionomias, pensamentos, ações, etc.
  • Quais são as inspirações de narração para ele?

Por quê usar essa técnica?

Se está se questionando o motivo de usar a técnica, lembre-se que nem todos conseguem desenvolver uma narrativa com facilidade. Talvez alguns tenham um certo receio de que o narrador não seja tão interessante para o leitor.

Essa é apenas uma forma de o escritor se sentir confortável com aquilo que cria.

Tendo as características de fala bem refletidas e esclarecidas, será mais fácil de escrever. Lembre-se, quem conta a história não é o autor, mas sim o narrador. Tornando-o mais vivo, mais real, como os demais personagens, só irá enriquecer a sua narrativa, pois irá deixá-lo “á cara dele”.

Não significa que, obrigatoriamente, o narrador deva aparecer na história. Como dito anteriormente, só se for extremamente necessário e fizer sentido para a sua história. Essa metodologia serve para você, autor, conhecer e desenvolver a narrativa.

Deve-se tomar todo o cuidado do mundo para evitar que o narrador interfira na história! Existem alguns fios narrativos que os pensamentos e opiniões do narrador são bem vindos, enquanto outros nãos. Por isso é de suma importância escolher o fio narrativo antes de desenvolver o seu narrador.

Exercite esse narrador

Como a dinâmica é trabalhar a narrativa, então é preciso exercitar a sua escrita. E aqui vai um exercício bem específico.

Dentro da história da qual esse personagem extra irá narrar, escolha uma cena para treinar a narrativa. Escreva-a de acordo com as características de fala que foram determinados anteriormente.

Não precisa se preocupar se ficar ruim, você irá fazer pelo menos umas três vezes esse rascunho. Isso mesmo, irá escrever muito pois o objetivo é encontrar a voz do narrador.

Você conheceu ele na teoria, e agora é preciso conhecê-lo na prática. Assim como os demais personagens, ele também irá ser lapidado por você. O primeiro rascunho será diferente do segundo e do terceiro, e por isso irá lê-los e tentar enxergar o seu personagem extra nele.

Conclusão

Desenvolver um narrador não será mais difícil se usar essa técnica. O objetivo principal é facilitar o desenvolvimento de uma voz narrativa, através da visualização de um personagem extra.

Com essa imagem construída, temos aquele pensamento de “ele parece ser do tipo que fala assim”. Se o escritor se encontra estagnado na parte do narrador, e não sabe ao certo como o fazer, com essa técnica eu tiro seu foco do problema e a coloco em outro campo de foco. Ao invés de pensar na forma de escrever, vamos usar a imaginação e criatividade.

Comente aqui embaixo, ou mande uma mensagem para mim pelo instagram (@autora.alisgreen), sobre como utilizou essa técnica e como foi a experiência!

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