Nanatsu no Taizai e a mitologia celta

Nanatsu no taizai e a mitologia celta

O anime da Netflix, Nanatsu no Taizai contém uma história de aventura emocionante. Mas o que realmente chama a atenção é a forte presença da cultura celta. Se não sabe do que estou falando, vem comigo que irei te explicar tudo.

Gosto muito de animes, isso não é novidade. Porém, o que tenho mais gostado de fazer ao assisti-los é justamente dar uma analisada em seu enredo, buscando por simbolismos e referências. Acredite, o anime do Nanatasu no Taizai está cheio deles, mesmo com alguns contrapontos.

Sinopse do anime

Em Nanatsu no Taizai, o Reino de Liones está sob o domínio dos Cavaleiros Sagrados, que capturaram o rei e impuseram sua tirania sobre o povo. A princesa Elizabeth Liones decide, então, pedir ajuda aos Sete Pecados Mortais, um grupo de cavaleiros que, no passado, foi acusado de conspirar contra a família real e acabou desertando. Agora, eles precisam se unir para recuperar o trono e desmascarar os verdadeiros traidores (Adoro Cinema).

Sobre o enredo de Nanatsu no Taizai

Não irei me demorar, já que corro alto risco de dar spoilers apenas por não me aguentar.

Podemos entender que nesse mundo onde a história se passa, há diversas criaturas. Há gigantes, fadas, demônios, arcanjos, humanos. Sendo assim, temos diversas culturas espalhadas por aí, não é mesmo?

O que deu a entender durante todo o anime é de uma guerra santa ter ocorrido 3 mil anos antes do primeiro episódio da primeira temporada. Uma guerra que ocasionou no desaparecimento de várias espécies de vida, sendo que algumas apenas se refugiaram, enquanto que a raça humana se alastra como sempre.

Por volta da terceira temporada temos maiores informações sobre essa famigerada guerra santa, contudo não obtemos todos os ocorridos de como ela começou. Apenas entendemos que nossos protagonistas estão envolvidos nisso, gerando o sentimento de traição tanto no clã das Deusas quanto no clã dos demônios.

No período de tempo em que a história começa na primeira temporada, temos personagens tentando trazer de volta o clã dos demônios. Estes haviam perdido a guerra santa, e foram selados pelos demais clãs existentes. Já pode imaginar a sede de vingança que esse povo carrega consigo, não é mesmo?

O começo dessa história toda

Elizabeth Liones é filha do rei de Liones, que está um pleno caos devido aos cavaleiros sagrados e seus comportamentos estranhos. Quando o rei e demais integrantes da família real se encontram aprisionados, Elizabeth foge do castelo e passa a procurar por 7 pessoas.

Mas não qualquer pessoa.

Esses 7 eram conhecidos como “Sete pecados capitais”, sete pessoas que cometeram algum pecado na sua vida, e se tornaram uma espécie de “cavaleiros sagrados” lidando com missões difíceis que outros humanos não conseguiriam. Até porque eles nem humanos são.

Sendo assim temos os seguintes integrantes: o pecado da serpente da inveja, a gigante Diane; o pecado da gula do javali, Merlin; o pecado do orgulho do leão, Escanor; o pecado da raposa ambiciosa, Ban; o pecado da cabra da luxúria, Gowther, o pecado da preguiça do urso, King; e o pecado da ira do dragão, Meliodas.

Este último seria o capitão, o líder, dos sete pecados, e o primeiro que Elizabeth encontra. A partir de então eles saem em busca de reunir os demais integrantes, à passo que enfrentam a ordem dos cavaleiros sagrados de Liones. O ponto chave dessa temporada, é basicamente descobrir o que raios está acontecendo na cidade.

O desenvolver do enredo e o despertar dos mandamentos

Por volta da segunda temporada temos o despertar dos dez mandamentos, que trazem mais situações perigosas para os humanos. E dessa vez, não há uma união dos diversos clãs para lutar contra eles. Somente os humanos.

Achei muito interessante essa questão dos mandamentos, pois eles representam partes, fragmentos, do poder absoluto do próprio rei demônio. Então essas dez criaturas basicamente seriam os mais fortes dentre os demônios.

Alguns deles se quer são demônios de verdade, apenas adquiriram um mandamento e trocaram de lado.

Além disso, também temos maiores informações sobre o passado de Meliodas e a relação que ele tem com a Elizabeth. Vemos no anime que é algo bem mais antigo, com maiores problemas que precisam ser resolvidos naquele momento.

Temos ao todo três temporadas do anime, e a última já está em lançamento. Nessa quarta temporada teremos uma luta final, e tudo indica que o anime termina aí.

Relação de Nanatsu no Taizai com a mitologia celta

Chega de enrolação e vamos ao que interessa.

Existem uma forte presença da mitologia celta dentro desse anime, e conseguimos perceber isso somente na ambientação. O nome do país, ou região, em que a história se passa é Brittania, o que nos lembra bastante das terra britânicas que temos por aqui.

Quando falamos da Grã-Bretanha, estamos falando de um conjunto de países. Países esses que já foram povoados pela população celta.

Outro ponto bastante interessante é a presença de um personagem que tem ligação ao povo druida. Sim, temos druidas no anime. Infelizmente não tivemos maiores informações sobre esse povo, o que aconteceu com eles após a guerra santa. Apenas sabemos que eles existem.

E, claro, há outros pontos que irei destacar agora.

O clã das Deusas, mas sem deusas

Cadê as Deusas desse clã?

Esse foi o primeiro questionamento que fiz, após assistir a terceira temporada. No anime é dito que para selar os dez mandamentos, as deusas perderam sua forma física, não sendo perceptíveis aos humanos.

Ou algo assim. Então temos aí uma justificativa para elas não aparecerem, só que ainda não achei isso bom o suficiente para tamanha grandeza delas.

Afinal de contas, a Deusa principal, chegou a amaldiçoar a filha para que ela reencarnasse eternamente como humana, sempre deparando-se com a morte. Se há tamanho poder para isso, então sua forma física seria algo mínimo.

O segundo ponto que me deixou levemente curiosa foi a representação desse clã. Eles foram feitos com asas de anjos. Isso é bastante interessante, pois na mitologia celta, os deuses não tem essa personificação angelical. Seus mitos são contados com eles vivendo como os humanos, em terras humanas, e não acima deles.

Peço que guardem essa informação para mais tarde.

Terceiro ponto que me intrigou foi de haver quatro arcanjos na linha de frente dessa batalha. Ou seja, na ausência das próprias deusas, os arcanjos que comandavam o clã nas batalhas. São figuras masculinas, de imenso poder e ambição, até certo ponto.

Não considerei isso um ponto muito positivo, algo não me agradou nessa ideia. Mas, abracemos o enredo e guardemos essa informação.

A cruz celta e Elizabeth como druidisa

Durante a primeira temporada, e parte da segunda, a protagonista sempre teve o seu olho direito coberto por seu cabelo. Isso porque ela despertou seus poderes de druidisa quando ainda era pequena. Ter um olho diferente a fez perceber que ela não era filha biológica do rei de Liones, e por isso optou por esconder o olho a fim de que ninguém mais soubesse.

Com o decorrer do anime, Elizabeth desperta ainda mais seus poderes e nos é revelado sua ligação com o clã das deusas.

Entendam, a cruz que aparece no olho da protagonista simboliza a face tríplice da Deusa. A Deusa tem sua face donzela virginal, face mãe nutridora e a anciã sábia. Isso é presente na mitologia celta. Levando em consideração que Elizabeth é jovem, e há uma Deusa mãe já existente, é claro que a protagonista está representando o aspecto donzela.

Sendo assim, temos uma deusa donzela que reencarna como uma druidisa, alguém que serve o clã das Deusas.

Para quem desconhece a cultura celta, os druidas eram uma espécie de sacerdotes das tribos celtas, chegando a ficar acima de reis. Eram eles os responsáveis por repassar a mitologia celta para os jovens e outras tribos, através da oratória. Podemos dizer que os celtas demoraram em aprender a escrever, sendo que a maior parte da cultura era passada pelo boca a boca mesmo.

Dessa forma, os druidas eram os mais próximos aos deuses, sendo eles os responsáveis pela organização e guiança nos rituais festivos.

Conseguem imaginar a forte ligação do druidismo com os deuses? E como ele foi representado no anime?


Leia também: Mitologia celta – introdução de uma cultura


Os arcanjos e os demônios no anime

Levando em consideração que na cultura celta que antecede a chegada do cristianismo não existia esse sistema de anjos e demônios, já começamos a perceber as linhas que dividem o simbolismo celta no anime.

Se você estiver se perguntando o motivo de haver a presença desses dois grupos em uma cultura que eles não existiam, eu digo que isso foi uma questão cultural atual.

Todo mundo conhece anjos e demônios, todo mundo os colocam como inimigos naturais. É algo que todos conhecem, não precisa de explicação. Diferente da própria cultura celta, que a maior parte da população desconhece.

Ou seja, foi algo necessário para explicar aos fãs que existem duas forças antagônicas que se enfrentem há milênios nesse contexto. Por isso eu pedi que guardassem aquela informação anterior.

Como anjos e demônios são características que a maior parte da população conhece e não há necessidade de maiores explicações, fica fácil de colocar duas forças como antagônicas no anime. É até esperado, se ouso dizer.

Mas não significa que eu tenha gostado da ausência das Deusas até a terceira temporada. Até mesmo os arcanjos dizem ter perdido sua forma física, então como eles conseguem voltar no final da terceira temporada, e as deusas não? Considerando que elas sejam mais fortes que os arcanjos… temo esperar a quarta temporada para conhecer o desfecho.

Outras presenças míticas

Além das deusas temos outros clãs presentes em Nanatsu no Taizai, são eles os gigantes e as fadas. Essas duas criaturas são de origem celta, não sendo tão presentes em outras culturas que existiam antes do período celta.

Se você pensou na mitologia nórdica, já aviso que houveram tribos celtas nas regiões nórdicas também. Uma cultura influencia a outra, sempre. Por isso é comum que uma figura mítica celta tenha o seu correspondente em tantas outras culturas pagãs.

De qualquer forma, na mitologia celta temos um gigante muito conhecido por ser um deus da música. Estou falando de Bran, que mesmo após ter sua cabeça separada do corpo, ele cantou músicas e contava histórias, tornando a jornada de volta à Grã-Bretanha algo divertido.

Isso é muito interessante, pois no anime vemos Diane aprendendo a dançar para aumentar seu poder. Ou seja, o deleite da música gera movimentos que podem ser poderosos o suficiente para aumentar o poder de um gigante. Sem falar da forte conexão que eles tem com o elemento terra, a sentindo sob seus pés.

Na cultura celta temos também as fadas, sendo que em várias regiões onde as tribos celtas viveram temos rainhas ou mães dos povos pequenos. A Deusa Aine, inclusive, é uma figura mítica popularmente conhecida como Rainha das Fadas.

Aqueles que desejam entrar em contato com os povos pequenos devem fazê-lo primeiro com a Deusa.


Leia também: Deuses celtas – segunda parte | Divindades celtas: figuras femininas da mitologia


O rei Arthur e Merlin no Nanatsu no Taizai

É claro que se tratando da cultura celta, a figura de Arthur Pendragon e companhia não podiam faltar. Um dos maiores contos, que carrega forte simbolismo, está presente no anime.

Se nos atentarmos na primeira temporada, já percebemos que Merlin é uma mulher. Deveras ambiciosa quando o assunto é conhecimento, ela carrega um mistério sobre quem é que a torna fascinante.

No final da primeira temporada somos apresentados a um jovem rapaz que já está no trono de uma cidade vizinha à Liones: Arthur. Diferente de tantas outras versões suas, ele é um garoto jovem, até mesmo bondoso (com uma voz maravilhosa na dublagem brasileira), que também podemos considerar misteriosa.

A presença de Arthur na história de Nanatasu é interessante, pois demoramos a entender o motivo dele estar lá. Merlin até chega a dizer sobre ele ser o futuro rei da Brettania, mas o foco da história parece estar bem longe disso acontecer.

Quer dizer, é uma luta contra o clã dos demônios e os dez mandamentos, onde ocorrem batalhas em cidades pontuais. Não é como se fossem mostrar os diversos reinos se unindo à Arthur, o que o tornará um rei de um país unificado parece distante do cenário atual. Mas o temos presente no anime, e com direito à uma luta boa contra um dos principais mandamentos, Zeldris.

Conclusão

Temos uma forte presença da cultura celta dentro do anime Nanatsu no Taizai. Percebemos isso pelas paisagens serem similares à Escócia ou Irlanda, a presença dos druidas como personagens conectados aos deuses.

Veja, são várias características que ambientam o enredo do anime em uma cultura antiga, mas há ainda muita incoerência. Anjos e demônios presentes na história distancia o anime de ser completamente ligado à cultura antiga. Porém, torna fácil do fã se conectar com a história, de a compreender e acompanhar o anime.

Mas isso não significa que a cultura celta esteja fraca de presença, na verdade é o contrário. É forte, a ponto de percebermos com facilidade. Isso é o suficiente.

Onde ver o anime

Netflix

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sobre a autora

Alis Green

Uma bruxa escritora que é viciada em animes. Adora estudar sobre mitologias e história, como também gosta de ler romances regenciais. Quando aprende alguma coisa nova, sempre passa à frente em seus posts.

Leia sobre esses artigos