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Documentário da Disney pode ajudar os escritores

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Pode parecer algo que não interliga aos escritores, mas o documentário de produção da animação tem muito á nos ensinar. Não sabe como? Clique em leia mais para descobrir.

O Disney+ está chegando em nosso país, e com ele vem o documentário mostrando os bastidores da produção do filme Frozen 2. O filme em si foi um grande sucesso, ganhando prêmios por sua musicalidade.

Só que para chegar á esse ponto, o estúdio teve de correr para cumprir prazos e arrumar os erros de coerência do roteiro.

Assistindo á tal documentário, encontrei algumas técnicas que são básicas e seguidas por escritores. Quero falar disso com você, e te lembrar que até mesmo os roteiristas mais famosos sofrem com suas obras.

O processo de produção do filme

Quando o documentário inicia, o filme já está em meio á processo de produção. Há uma data de lançamento pronta, um enredo mais ou menos sólido, e até mesmo os dubladores já haviam gravado suas partes.

A impressão que dá é que ali estamos presenciando o processo de revisão do filme. Só que ao mesmo tempo, muitas coisas ainda não estavam prontas.

Isso foi algo que achei de mais maluco.

Tantas reuniões para ver storyboard, música, enredo, que era notável o quão longe estavam do produto final.

O movimentar de uma equipe inteira acompanhando todo o processo de cada setor foi mágico. A Disney, inclusive, teve uma ótima sacada para ajudar de seus próprios produtores. Os diretores, produtores e roteiristas de outras animações se reuniam para assistir ao filme.

E não ache que trata-se de algo de qualidade. O que já estava animado eles mostravam, e o que não estava era mostrado no storyboard mesmo. Em seguida eles se reuniam, e os convidados falavam sobre suas impressões do que viram.

Imagina só você mostrar seu livro para outros escritores á cada processo de revisão. Quantas dicas valiosas receberia.

De olho no movimento real e passar para a animação

Uma das coisas que ganhou minha atenção nesse documentário foi do processo de animação. Uma das animadoras pediu ao namorado para filmá-la correndo pela calçada. Assim teria uma referência do mover das pernas em uma corrida.

Basicamente trata-se da cena em que Elsa está correndo no final da música “Minha intuição”.

Na Disney, há salas onde os animadores podem fazer os movimentos e se filmarem. Dessa forma, eles estudam com detalhes o mover do corpo e reproduzir na computação. Seja para cenas de diálogo ou para músicas, eles fazem exatamente cada passo, além de atentarem-se ás expressões.

Ou seja, há uma preocupação em tornar a animação mais humana.

Para a escrita isso também é necessário. Devemos aprender como as pessoas se expressam através da fisionomia e comportamentos. Ver a interação corporal com a fala. Ás vezes deixamos esses detalhes passarem.

É claro que não temos como passar tamanha riqueza de detalhes, mas é interessante pensarmos á respeito. Para que o leitor compreenda os sentimentos dos personagens através das palavras.

Pedindo a opinião para o público alvo

Outro ponto que ganhou minha atenção foi uma experiência de feedback.

Parte da produção foi ao cinema de outra cidade mostrar o filme para o público.

Quem comprou os ingressos não sabia que tratava-se do filme da Frozen. A equipe não fez nenhuma apresentação, e se camuflaram entre a plateia para saber as mais diferentes reações. Ao final da exibição, pediram que escrevessem um feedback.

Ao retornarem para o estúdio, o diretor separou o feedback do público-alvo e se reuniu com o pessoal da animação. Como o público são crianças, foi repassado o que elas mais gostaram e o que não haviam entendido.
A partir daí veio uma revisão fortíssima em toda a equipe.

Muitas cenas foram retiradas do filme, outras precisavam mudar alguns detalhes. O roteiro precisou ser reescrito.

Então inicia a corrida para corrigir tudo antes do prazo de lançamento!

Como podemos nos inspirar nesse documentário

Existem tantas ideias que seriam benéficas para um escritor.

Imagina se todos pudessem mostrar seu livro para um certo número de pessoas que entram no público alvo. E assim receber um feedback e mudar o que poderia para ter um livro de qualidade. Alguns autores conseguem até, mas não são todos.

O máximo que conseguimos é contratar um beta reader.

E por eles envolverem profissionais de diversas áreas da animação, nós podemos nos inspirar. Encontraremos ali novos métodos de escrita.

Além disso, é interessante vermos o quão difícil é trazer vida á uma história. Pois a revisão é constante, várias pessoas pensando em unidade, tira isso e adiciona aquilo. Repensa no storyboard.

Só a ideia do storyboard já me foi interessante, pois ali é o pontapé de todo o projeto. É rascunhado a ideia, colocando vida para que seja visível e notável. Ou seja, um processo que permite o roteirista de encontrar os erros, e discutir a melhor forma de fazer aquela cena.

E esse é o ponto principal de todo o documentário. Tudo é feito cena por cena.

Escrevendo cena por cena

Para você escritor isso pode ser algo difícil, mas é uma técnica bem interessante.

Vamos supor que você tem a primeira versão construída. A ideia foi solidificada, assim como a personalidade dos personagens, os cenários e subtramas. Inicia-se o processo de revisão, onde o autor precisa ver o que dá certo e errado. Tirar cenas e substituí-las por outras, adicionar arcos e subtramas para prender a atenção do leitor.

Só que podemos focar a revisão por partes. Ao invés do escritor ler de cabo á rabo sua história, ele focaria em ver cada arco de subtrama em sua singularidade. Dessa forma, a atenção não fica dividida e preocupada se faz sentido no final.

Mudanças são esperadas, mesmo que sejam drásticas. Ás vezes a coerência do enredo pede por isso. Sendo assim, arregace as mangas e divida a sua história por cenas.

Alguns autores já fazem a revisão focando nos subtramas por eles terem um início, meio e fim. Só lembro que eles também tem suas cenas. Cada uma delas é importante dentro da história. E por esse motivo é interessante revisá-la individualmente.

O programa bibisco ajuda, e muito, nesse quesito. Ele separa o capítulo por cenas, não tendo um limite para o mesmo.


Leia também: Bibisco – uma ferramenta para escritores


Olhando o micro para depois olhar o macro

Basicamente é o que podemos entender dessa técnica de revisão. É olharmos para os detalhes, e depois focar no livro por inteiro.

Então, se formos criar um passo á passo para esse processo, ele seria mais ou menos da seguinte forma:

  • Escrever a primeira versão do livro;
  • Separar as cenas de cada capítulo;
  • Descrever qual o propósito de cada cena;
  • Revisar as cenas individualmente, sem preocupar-se com o todo;
  • Rever os diálogos entre os personagens;
  • Revisar a descrição de fisionomias, movimentos corporais e demais comportamentos dos personagens;
  • Verificar após a revisão se o propósito foi cumprido/atingido.

Essa seria uma revisão bem longa e demorada, que requer muito foco por parte do escritor. Se for necessário, separe material de apoio que servirá de inspiração para algo. Isso é indicado, principalmente, para cenas de lutas. Afinal, alguns autores têm dificuldade em descrever uma batalha.

Recomendo que essa revisão mais detalhada seja realizada no meio do processo de revisão. Vamos supor que o autor revise cerca de 5 vezes o seu livro. Então essa técnica deverá ser aplicada por volta da terceira revisão.

Conclusão

O documentário é muito interessante para a gente perceber como que é processo de criação de um filme animado. Assistindo, podemos notar como o foco na coerência da história é tão importante. Assim como a expressão de sentimentos e emoções em cada cena.

Diferente dos filmes onde temos expressões visuais, os livros contam com descrições imaginativas. Ainda assim, podemos dizer que o processo criativo são similares.

Com certeza o escritor poderá tirar muitas ideias de técnicas vendo e revendo esse documentário.

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