Deusas celtas: as últimas histórias
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Deusas celtas: as últimas histórias

Na cultura antiga temos diversas divindades, e nas últimas semanas estudamos algumas delas. No post de hoje iremos conhecer mais algumas Deusas celtas e seus mitos mais populares.

Chegamos á ultima parte sobre divindades celtas femininas. Ressalto que o grande número de divindades existentes dentro desse panteão torna impossível falar detalhadamente de cada um. Por isso a série de posts foram feitos em grupos.

Infelizmente, algumas divindades não possuem informações que contem uma história ou falem de maneira profunda sobre suas qualidades divinas, como o caso da Deusa Elaine. Por isso, peço desculpas ao leitor pela falha.

Vamos conhecer mais algumas divindades femininas do panteão celta!

Rhiannon

Deusa dos cavalos, pássaros, encantamentos, instintos, fertilidade, submundo e da morte. Suas maiores representações são cavalos brancos e fadas, uma vez que é considerada a rainha delas. Por também ser uma divindade ligada aos cavalos, Rhiannon é facilmente associada á Deusa Epona, que faz parte da mitologia galesa.

Segundo os mitos contados sobre essa Deusa, ela seria muito inteligente, estrategista de grande riqueza e generosa. Os poderes por ela utilizados são voltados para o amor á si próprio e aos outros, focando no amor verdadeiro e beleza. Ela sempre anda acompanhada de 3 pássaros, que eram capazes de encantar os vivos e despertar os que já morreram.

O que podemos ver em seus mitos é sua forte ligação simbólica aos cavalos, e também o seu amor por um mortal.

Em sua história, é dito ser filha de Hefaidd (o senhor do outro mundo), que lançou sobre ela uma maldição de esterilidade após descobrir que Rhiannon escolhera o príncipe de Dyfed, Pwyl, como esposo.

Outras fontes apontam que a Deusa era disputada por um rapaz chamado Gwaw ap Clud, que queria desposá-la á todo custo. Ele seria a pessoa similar á Deusa (ou seja, também do submundo), da qual o pai dela desejava com quem se casasse. Mas Rhiannon o rejeita e faz de tudo para que ele esquecesse essa ideia de se casar.

De qualquer maneira, Rhiannon se casa com quem ama.

Sabendo que não poderia ser mãe, a Deusa usou um encantamento que lhe permitisse engravidar, e conseguira conceber um herdeiro á seu marido. Porém, na noite do nascimento, a criança recém-nascida fora raptada por um espírito malévolo. As mulheres que estavam responsáveis por seu cuidado mataram um cão e utilizaram de seu sangue e vísceras para sujar a roupa da Deusa. Dessa forma, culpariam Rhiannon por ter devorado o próprio filho.

Pwyl castigou a Deusa, que se manteve em silencio sem acusar ninguém, pois ela mesma acreditava na história contada. No entanto, sete anos depois quando o senhor Teyrnon encontrou a criança desaparecida, o castigo da Deusa fora retirado.

Rosmerta

Deusa gaulesa da abundância, fertilidade, fogo, calor, riqueza e prosperidade. Por isso é comum que seja representada por uma cornucópia, cestos cheios de flores e frutas.

É dito que as lendas apontam-na como consorte de Mercúrio, sendo essa uma mera simbologia á prosperidade durante colheita e negócios.

Scáthach

Popularmente conhecida como uma guerreira e mestre nas batalhas, ela é mencionada nas lendas e histórias medievais irlandesas.

Filha do rei da região de Cítia, vivia em uma fortaleza denominada Castelo das Sombras, que ficava na ilha de Skye, na Escócia. Dentro da fortaleza, treinava jovens guerreiros para que fossem habilidosos e corajoso para penetrar nas defesas de sua fortaleza até a encontrarem.

Podemos dizer que ela era bem rígida com os treinos, e só para chegar até o local onde ela estava era um teste de coragem para quem quisesse ir treinar. Mares agitados, pedregulhos e tempestades eram apenas alguns dos empecilhos naturais que dificultavam a chegada até a fortaleza.

Dentre os diversos alunos que tivera, o que mais se destacara fora Cu Chulainn, que também é popular dentre os mitos celtas por sua força. Como ele queria desposar uma mulher, lhe foi imposto tal treinamento com Scáthach, que ao conseguir o presentou com uma lança chamada Gae Bolg.

No entanto, a história da Deusa junto com o rapaz guerreiro foi além de um treinamento. Ele teria a ajudado á lidar com uma vizinha (ou irmã com quem esteve brigada). Também é contado que ambos se relacionaram algumas vezes, porém sem compromissos.

De qualquer forma, Scáthach é representada, também, como magista com dom da profecia. Acabou por se tornar a deusa dos mortos, garantindo a passagem dos que morreram em batalha para o Tir na Nóg (seria uma região onde as almas vão após morrerem).

Sulis

Deusa celta da cura, das águas temais e curativas. É a partir da água que Sullis promove a cura e restaura a saúde e bem-estar de seus devotos. Por isso não é estranho que seu maior símbolo seja a água, assim como o Sol que simboliza a consagração.

Sulis também é invocada para solucionar situações de roubos pequenos em casas de banhos. Alguns devotos pediam que a Deusa prejudicasse a saúde dos malfeitores, á ponto de chegarem á morte.

Um dos motivos de seu nome estar relacionado á água termais advém de possível significado linguistíco de Sulis. O significado pode variar entre olho e sol, sendo que muitas pessoas chamam a nascente da água de olho. E quando a água vem direto da terra, sua temperatura é morna, sendo esse o motivo de ser ligada ás fontes termais.

Quem adotou a deusa por gostarem de suas fontes termais foram os romanos. Uma vez que foi confirmado que a água era curativa e medicinal, logo milagrosa, eles se familiarizaram com Sulis. Há também uma divindade romana chamada Minerva, que também era associada às águas curativas.

Badb

Deusa da guerra e profetisa do antigo panteão irlandês, ela era conhecida por estar ao lado de suas irmãs Morrigan e Macha, presentes em campos de batalhas. Elas eram uma tríade guerreiras, filhas da Deusa-Mãe Ernmas.

É contado que Badb era venerada por Ériu, e em alguns mitos é contado que seria esposa de Neit, sendo que em outras seria sua filha. Também pode haver confusão com a Deusa Morrigan, quando alguns acreditam que são gêmeas, ou que são a mesma pessoa, sendo a última dificilmente concordada atualmente.

O seu nome pode significar raiva, fúria, violência, e ela poderia ser uma fada ou apenas uma deusa da guerra. De qualquer forma, é dito que assumia a forma de uma corvo. Em meio á batalhas, poderia fazê-la pender para o lado favorito originando confusão entre os soldados.

Na batalha de Mag Tuired, as três teriam lançados chuvas de feitiços, nuvens compactas de névoa e chuva de fogo, deixando os inimigos desesperados. Elas eram capazes de fazer chover sangue e fogo por três dias e noites.

Cailleach

Deusa do inverno, proteção dos animais, sabedoria e dos fins também é uma das divindades mais antigas na cultura celta. Figura poderosa e importante, não desapareceu mesmo depois do surgimento de tantas outras divindades, o que mostra sua força.

Seu nome pode significar bruxa, mulher velha, ou aquela que usa um véu. Podemos notar que tudo é ligado á questão da sabedoria que ela é conhecida por possuir. É dito que protege e vigia as vidas selvagens e pune os caçadores que tiravam a vida das fêmeas grávidas. Essa características é bem similar á deusa grega Ártemis.

Algumas história a descrevem como uma mulher idosa de pele negra-azulada, tendo em seu rosto somente um olho que esbanja paixão. Seus dentes seriam vermelhos e o cabelo branco como a neve, capaz de cobrir o topo de montanhas. Na mão direita segura uma varinha ou martelo, onde transforma a grama em gelo durante o inverno.

Quando o inverno passava e o sol retornava, Cailleach joga sua varinha para a sombra de uma árvore sagrada, e se transforma em pedra. Assim esperaria pelo outono, onde retornaria sua forma original.

Ela é homenageada no sabbath de Samhain, por ser nessa noite que desperta do sono e caminha pela terra se preparando para o inverno. Cailleach também é relacionada á face oculta da Deusa dentro da Wicca, por estar ligada á destruição para a preparação do renascimento.

Outras fontes apontam sua aparência jovem, ligado ao poder de rejuvenescer constantemente. Ou seja, é representada no aspecto donzela, sendo relacionada á Deusa romana Diana. Nesse caso ela seria a anciã no Samhain, que se torna cada vez mais jovem até a chegada de Beltane.


Leia também: O ano novo bruxo – Samhain | Beltane: um sabbat festivo e folclórico


Macha

Deusa irlandesa da soberania, conhecida como Rainha da vida e da morte que é reverenciada no sabbat de Lammas. Também é dito ser protetora da guerra e da paz, regendo a astúcia, força física, sexualidade, fertilidade e domínio sobre os homens.

É dito que Macha guia as almas para o além do mundo, pois vive na terra dos mortos. É relacionada á outras deusas como Rhiannon e Epona por também ser considerada Deusa da água e dos equinos.

De qualquer forma, algumas fontes contam que existem diversas figuras dentro da mitologia irlandesa que recebem o seu nome. Dentre elas, há a Deusa Tríplice ligada á Morrigan e Babd, como aquelas que espalham a confusão e tem grandes poderes.

Também é mencionada como um corvo que se alimenta dos cadáveres em combate, ou então é associada aos troféus de batalhas sangrentos como cabeças dos inimigos que são recolhidos. Pode-se notar que seu nome é bem ligado aos campos de batalhas e aos corvos.

Ela teria preferido viver entre os mortais e chegou a se casar três vezes. Seus respectivos maridos foram Nemed (morto em batalha), Cimbaeth e depois Crunniuc Mac Agnomainque. Este último seria um fazendeiro de Ulster, pai de quatro filhos e recém-viúvo. Macha entra em sua casa, organizando o lar, dando ordens aos criados, tudo com a intenção de agradá-lo. Ao anoitecer ambos se unem sexualmente, onde ela se torna sua esposa.

Como não contara sua origem e manteve-se misteriosa, Macha trouxe prosperidade para o marido que nunca lhe questionou. Dentre a prosperidade, ela sendo divindade dos cavalos, multiplicou os cavalos e corria com eles pela manhã.

Dado um momento que o rei de Ulser queria fazer um festejo e Crunniuc optou por ir. Macha teria o alertado para não o fazer, pois se contassem aos outros á seu respeito a desgraça viria para ambos. Mesmo assim ele foi.

Em tal festejo o rei se gabava dos próprios cavalos por serem tão velozes, e Crunniuc não se conteve e falou que sua esposa era tão veloz quanto. Claramente o rei ficou enraivescido e prendeu o rapaz pedindo por provas.

Macha fora obrigada a aparecer no festejo a fim de competir uma corrida contra os cavalos do rei, ou então o marido morreria. Porém, ela estava grávida e pediu que esperassem o fim da gestação para que tal corrida fosse realizada.

Mesmo assim, o seu pedido foi negado e ela teve de realizar a tal corrida, mesmo que estivesse prestes á parir. A corrida foi feita, ela ganhou, mas ao final suas dores aumentaram e ela deu luz á gêmeos.

Somente nesse momento que os homens se deram conta do que haviam feito, ignorado uma gestante. Ainda domada por dores, voltou-se para os demais e amaldiçoou as terras de Ulster, mais precisamente os guerreiros. Quando estes precisassem ser fortes, eles seriam comedidos por dores fortes similares á de um parto. Ainda ao final de seu discurso, confirmou ser a Deusa Macha, mandando que seu nome fosse enaltecido e que aquele lugar agora deveria ser chamado de Emain Macha (por ela ter dado luz aos gêmeos Fir e Fial).

Após tal cena repleta de revelações, Macha partiu junto de seus filhos. Crunniuc nunca mais a viu e perdeu toda a prosperidade que uma vez tivera.

Modron

Deusa céltica similar á Demeter. Algumas fontes a mostram como mãe dos gêmeos Owein e Morvud, em outras ela seria mãe de Mabon (Deus celta do sol e profecia). Também é relacionada á tríade com os gêmeos citados anteriormente.

É contado que Modron seria neta de Belenus e filha do rei de Avalon, Avallach. É associada á terra, feitiçaria e cura, protegendo as nascente sagradas, fontes, artesãos e artistas. Os símbolos mágicos á ela relacionados são crianças, flores e frutas.

Alguns falam que Modron e Morgana seriam o mesmo personagem, uma vez que ambas são capazes de mudar seu rosto e voar.

O mito mais popular relacionado á Modron envolvem o desparecimento de seu filho Mabon 3 dias após seu nascimento. Mesmo que o rei de Avalon reunisse os campeões para procurar a criança, ninguém saberia por onde começar, uma vez que o desaparecimento foi misterioso demais.

A Deusa então pediu que procurassem os cinco animais mais antigos que existiam. São eles: melro, cervo, coruja, águia e o salmão. Cada uma dos animais fornecem pistas que levam os guerreiros á desvendar todo o mistério.

Diga-se de passagem que Mabon havia sido levado para o útero de sua mãe novamente. Uma simbologia voltada para que Mabon vivenciasse desafios para renovar sua força e sabedoria, e assim renascer como, de fato, um campeão e criasse promessa.

Toda a aventura que os guerreiros passaram foi para conhecerem sobre o mundo (a partir dos cinco animais antigos) e a si mesmos.

Fontes

Caminho pagão – Rhiannon a Grande Rainha | Badb Deusa da guerra e profecia

Dez mil nomes – Sulis, Deusa das águas curativas | Macha, Deusa da soberania, guerra e paz

Janela da alma – Deusa Rhiannon

Luz e Mhistérios – Deusa Cailleach

Portal das fadas e dos elementais – Badb

Portal dos mitos – Scátchach

Portal sincronicidade – A lenda de Mabon

Santuário Lunar – Deusa Rhiannon | Cailleach – Deusa do inverno e dos fins

Unicórnio da Deusa – Deusa Rosmerta

Wicca, bruxaria e magia – Deusa Modron

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