Bruxaria Caminho da Lua

A diferença entre espiritualidade e religião

diferença de espiritualidade e religião

Você sabia que há uma diferença entre a espiritualidade e a religião? O autor Michael Baigent nos ensina em seu livro “A Inquisição”, abrindo nossos olhos daquilo que parece ser tão óbvio.

Já vi algumas pessoas, inclusive eu mesma, não saber a linha fina que separa essas duas palavras. Vivenciamos algo tão misturado, que chega a nos fazer mal. Pois perdemos uma certa liberdade da qual uma dessas palavras nos proporcionam.

Não entendeu nada do que eu disse? Então é sinal de que precisa deixar claro a diferença.

Um pouco sobre o livro “A inquisição”

Antes de entrarmos no que interessa, vale a pena ressaltar sobre o livro da qual o assunto foi tirado.

Dentro da bruxaria é sempre comentado sobre a caça às bruxas, onde uma ladainha é dita sem novidades. Sabemos o básico, a ponta do iceberg. Contudo, quando falamos de marcos históricos de nossa sociedade, o ideal é olhar para isso com neutralidade e certa curiosidade.

Esse livro é bem diferente da “História da bruxaria” de Jeffrey B. Russel, onde o autor pincela o impacto da inquisição sobre o paganismo e a bruxaria moderna. Já Michael Baigent fala de todo o movimento histórico por parte da própria igreja cristã.

O que acontecia na época que os primeiros inquisidores foram nomeados, porque a igreja perseguiu os considerados hereges, etc. Então conhecemos o outro lado da moeda, e podemos entender que tudo isso ocorreu por causa da ganância do próprio ser humano.

De certa forma eu recomendo a leitura para quem quiser se aprofundar um pouco mais nesse assunto. Já aviso que a leitura é bem enfadonha, com palavras pesadas, então se tiver sono ou for uma pessoa não acostumada a ler atente-se.


Leia também: Caça às bruxas – compreendendo o marco histórico


O que é a espiritualidade

O autor faz uso de uma analogia pra exemplificar a diferença entre a espiritualidade (ou experiência religiosa) da religião. Não farei diferente aqui.

Imagine uma pessoa pertencente à uma tribo isolada, que nunca recebera estímulos do mundo externo. Ou seja, enquanto o mundo afora evoluía, a tribo, em questão, parara no tempo. Tal pessoa chega no mundo moderno, deparando-se com a tecnologia.

O que aconteceria?

Ficaria horrorizado, pois entenderia que seria um sinal de perigo que ele precisa se atentar. Uma vez que o perigo fosse apaziguado, provavelmente iria explorar a tecnologia. Para isso escolheu a tomada, onde ele enfia o dedo nela.

Ele tomaria um choque certo? As ondas elétricas irão causar um efeito em seu corpo, certo?

A experiência de experimentar tais efeitos das ondas elétricas é algo inédito para essa pessoa. Pois ela desconhece uma tomada, as ondas elétricas, muito menos as sensações que sente em seu corpo.

Toda essa experiência é inédita para ele. E não há forma alguma de expressar sua relação com tal experiência.

Essa é a espiritualidade.

O que é a religião

Seguindo a história do exemplo, a pessoa iria querer alguma explicação sobre o que aconteceu. Porém, ele não detém o conhecimento que o mundo moderno tem, então seria completamente ineficaz dizer sobre física, química e demais aspectos da tecnologia.

Seria dito a ele que aquele era uma divindade cujo nome é eletricidade.

A ideia de divindade é fácil, acessível e atemporal. Ele compreenderia essa ideia.

A partir daí poderia construir toda uma narrativa sobre tal divindade, seus poderes e impactos na vida dos humanos modernos, onde ele governa, etc. Em seguida, seria ensinado à tal pessoa como ter acesso a essa divindade, como o convencer a lhe servir.

Toda essa base mítica que serviu pra explicar a experiência, e até mesmo criar um passo a passo para acessar tal divindade, é a religião. É o momento em que faço uso da lógica e da razão para explicar a experiência espiritual, e até mesmo replicá-la.

No caso das religiões cristãs, seriam suas teologias e dogmas.

“As teologias envolvem dogmas, proibições e sanções, ritos e rituais. Quanto mais complexas e elaboradas se tornam essas coisas, mais divorciadas e dissociadas se tornam da experiência original que as inspirou no início.”

Como a espiritualidade impacta nossa vida

Segundo o autor, o principal motivo de haver a inquisição seja a necessidade de controlar aqueles que não precisam da interpretação religiosa pra viver sua espiritualidade.

A experiência é diferente um e para outro, e por isso alguns místicos podem não exigir a guiança de um sacerdote.

Dentro da bruxaria natural você poderá ser guiado por uma sacerdotisa, dependendo do caminho que deseja seguir. Mas ela será apenas um guia, irá te auxiliar. Quem deverá trilhar todo o caminho e enraizar o conhecimento é você mesmo.

A forma como irá entender a bruxaria, vivenciá-la, internalizar seus ensinamentos será a sua experiência que formará a sua espiritualidade. As palavras pra interpretá-las, servem apenas pra se apresentar ao outro, e não para si mesmo.

Posso muito bem te dizer um ritual pra se conectar com alguma divindade pagã, mas a sua experiência será completamente diferente da que eu tive. Pode até não dar certo.

Isso porque a experiência leva em consideração o campo pessoal. Toda a bagagem que eu carrego comigo impacta a minha experiência e a forma como irei me sentir com ela.

Conclusão

Esse post é mais para refletirmos que para qualquer crença que exista no mundo, o ideal é sempre vivenciá-las. A experiência espiritual diz muito para nós, levando em consideração absolutamente tudo o que sou e que tenho agora.

Posso aprender mais sobre ela, mas será apenas para torná-la conhecida e me dar uma sensação de segurança em saber com o quê estou lidando. Mas todo aprendizado será diferente da experiência que eu tiver.

Fontes e recomendação de leitura

A Inquisição – Michael Baigent

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