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Transtorno de fluência e seus impactos

transtorno de fluencia feito por psychologie

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O transtorno de fluência, também conhecido como gagueira, tem seus impactos na vida do sujeito, esteja ele passando pela infância ou já na vida adulta. Buscaremos então compreender um pouco sobre o que a gagueira, e como ela é capaz de influenciar a vida de uma pessoa.

Olá caros leitores!

Com o tema já especificado, é hora de pegar a caneta e o papel para estudarmos um pouquinho.

ꕥ O que é o Transtorno de Influência

É um tipo de disfluência, aquilo que quebra a fluência da fala. Segundo o DSM-V, são perturbações da fluência considerada inapropriada para a idade e habilidades linguísticas do sujeito, que se tornam persistentes. O fluxo normal da fala é interrompida anormalmente por repetições ou prolongamento de sons, sílabas ou postura articulatória, ou então por comportamentos de evitação ou esforço.

Quando vamos nos comunicar, é pensado sobre as palavras, formas de pronunciarmos elas, e como que as organizamos em uma frase para que faça sentido para o interlocutor. A pessoa que tem gagueira sabe qual palavra deve ser dita, no entanto não consegue dizê-la.

Ou seja, a gagueira ocorre quando o sujeito perde o controle de sua fala, sentindo-se incapaz de falar.

Seu início pode ocorrer em crianças entre 2 a 7 anos, onde há um período de desenvolvimento do sujeito. De começo a criança pode não perceber a disfluência em sua fala, por ser algo gradativo como repetição de consoantes iniciais, primeiras palavras de uma frase ou de palavras longas. Contudo, na medida em que o problema se prolonga começa a causar interferências, e a criança pode reagir de forma emotiva. Ela varia conforme a situação, sendo mais grave em situações de pressão para se comunicar.

ꕥ Sintomas do Transtorno de Influência no DSM-V

No DSM-V temos alguns tópicos que mostram os sintomas da gagueira. Para que seja diagnosticado, pelo menos 3 dos sintomas listados precisam estar presentes.

↬ Repetições de som ou sílaba;
⇢ Prolongamentos sonoros das consoantes e das vogais;
↬ Palavras interrompidas (pausas nas palavras);
⇢ Bloqueio audível ou silencioso (pauses preenchidas, ou não, na fala);
↬ Circunlocuções (substituição de palavra para evitar palavras problemáticas);
⇢ Palavras produzidas com excesso de tensão física;
↬ Repetições de palavras monossilábicas.

É essencial que na hora de se fazer o diagnóstico, leve-se em consideração a fase de desenvolvimento da criança. Isso por conta de haver palavras que ela esteja aprendendo a falar e que possam ser difíceis de pronunciar, ou então ainda não dominou a combinação de letras (como br. ch, etc.).

ꕥ Disfluência como um transtorno

Estamos discutindo sobre a gagueira pois é um transtorno que realmente trás angustia para a pessoa. Isso porque ela causa ansiedade em relação a fala, limitando a comunicação. Chega a um ponto em que o gago evita situações sociais e tem seu desempenho acadêmico ou trabalho afetados.

Há um medo antecipatório de gaguejar. O sujeito tenta evitar disfluências através de mecanismos linguísticos, como a troca de palavras problemáticas por outras que sejam fáceis de serem ditas, ou então evitar certos sons e palavras. Semelhantemente, a pessoa pode evitar situações em si que requerem discursos, como falar publicamente.

Até mesmo o corpo sofre. Devemos nos lembrar que o corpo também transmite mensagens, faz parte de uma comunicação não verbal. Quando uma pessoa se vê nesse bloqueio, o corpo pode espasmar , o rosto pode ficar tenso, o sujeito não consegue fazer contato visual, e até mesmo sua respiração pode ser afetada.

Oras, como assim a respiração? Pois é meus caros leitores, o sujeito gago pode, de forma abrupta, cortar a sua respiração. Oliveira e Gargantini (2013) falam sobre isso em seu artigo, onde distúrbios respiratórios podem ocorrer por conta da pessoa querer falar durante a inspiração ou durante a expiração, a sua respiração se torna prolongada e serem interrompidas, entre outras ocorrências.

Ainda no campo do corpo que fala, a articulação também sofre. Pode acontecer da mandíbula se mover antes da pessoa literalmente falar alguma coisa. Ou então o espaço de tempo entre começar a falar e o mover da mandíbula sejam muito espaçados, demorados. É como uma dessincronização entre a fonação e os movimentos articulatórios.

Então o que entendemos sobre a forma como o transtorno de fluência pode interferir na linguagem corporal, é prejudicial. Tensões são visíveis, assim como os espasmo que surgem, principalmente, nas mãos, braços, pés, pernas e troncos. A postura que a pessoa toma deixa claro o seu medo e a ansiedade que está sentindo. Expressões faciais perdem a função comunicativa não-verbal.

ꕥ Interrupções sociais

Infelizmente a gagueira pode trazer grandes impactos para o sujeito, seja na infância ou na vida a adulta. Isso por conta de um pré julgamento social sobre sua personalidade.

“Quando o sujeito percebe um estado de disfluência, seu comportamento comunicativo geral sofre interferência, o que pode determinar que os gagos sejam vistos, em geral, como sujeitos inseguros, introvertidos, ansiosos, tensos, não assertivos e medrosos para falar” (Oliveira e Gargantini, 2013).

Apesar de ser algo que socialmente as pessoas possam dizer que é bonito ou fofo, para um gago a situação é completamente oposta. Como diz na citação, algumas pessoas chegam a pensar que os gagos tem alguma característica na personalidade que é diferente daqueles que não tem gagueira. Só que isso não é verdade.

Pesquisas foram feitas e em seus resultados trazem que não há diferença alguma entre os gagos e os não gagos. Traços de personalidade são as mesmas.

Falamos até agora sobre o transtorno de fluência na infância, mas devemos olhar para os adultos gagos. Como é um transtorno que dificulta o campo social, a gagueira pode interferir na busca de um emprego.

Alguns empregadores consideram a gagueira como um fator que dificulta na contratação ou na promoção de uma pessoa. Isso por conta de falsos julgamentos.

Já os sujeitos gagos relatam terem cuidados na escolha de palavras durante a entrevista, chegando ao ponto de dizerem absolutamente nada, mesmo que o assunto seja importante ou de seu interesse. Dizem que o transtorno destrói a imagem de um entrevistado tranquilo e seguro.

Além disso, eles se sentem inseguros em relação ao que o entrevistador pode pensar dele, podendo concordar com recomendações de procurarem empregos que não tenha comunicação direta com clientes.

ꕥ Cuidando da fluência no trabalho

Há alguns empregadores que investem em cursos de fala para empregados com o transtorno de fluência. O motivo de esses cursos serem levados como opções se dá por empregados gagos rejeitarem promoções no trabalho, afim de evitar apresentações a grupos grandes ou outras exposições.

Também é considerado como um dos motivo de empregadores não contratarem gagos, não seria por conta deles mesmos terem uma má impressão, mas sim dos clientes que poderiam se sentir inseguros e não saberem o que fazer diante do empregado gago.

“Craig & Calver (1991), em estudo realizado na Austrália, evidenciou que após que após completarem dez meses um programa de habilitação da fala, 44% dos empregados gagos conseguiram promoção, 40% mudaram de emprego e 36% relataram mudanças positivas no trabalho” (Oliveira e Gargantina, 2013).

Um dos meios de lidar com a gagueira, seria o próprio sujeito se aceitar como gago. O que aumenta a ansiedade e o medo é o fato da pessoa tentar tomar o controle novamente, de rejeitar a condição de gago. Com essa auto aceitação, trabalha-se tanto com o autoconhecimento e com a autoestima do sujeito. A partir daí a pessoa será capaz de evitar em pensar na gagueira como uma situação difícil que deve ser evitada, e passará a trabalhar com o desenvolvimento de uma comunicação boa e prática independente de qual a situação ela esteja.

ꕥ Conclusão

Conseguimos compreender o é a gagueira e como ela interfere na vida do sujeito. Existe uma grande probabilidade do sujeito falar algo que seja totalmente o oposto do que ele – de fato – queria dizer, por conta da troca de palavras. Na infância, a criança pode evitar de apresentar trabalhos orais, ou então de ser mais participativo por medo de não conseguir falar o que quer. E quanto maior a pressão social que ela receber, mais grave a situação se torna.

Também vimos como que socialmente a gagueira é vista – sendo que para a pessoa gaga o transtorno não é algo bom – e é recebida no mundo dos negócios – adultos gagos tendo dificuldade em arrumar emprego.

Porém, não é sempre que a pessoa demonstrará sinais de medo tensão na hora de falar. A disfluência pode aparecer ausente em algumas situações em que a exposição social não seja necessária. Quando a criança estiver lendo, cantando, ou até mesmo conversando com algum brinquedo ou bichinho de estimação.

ꕥ Fontes

DSM-V
Comunicação e gagueira – Oliveira e Gargantini, 2013.

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